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Hidrogênio Verde: Tecnologia promete revolucionar a economia cearense; saiba como

A expectativa do Governo do Estado é que haja investimentos superiores a US$ 20 bilhões até 2030, com criação de mais de 100.000 empregos na geração da energia renovável. O Complexo do Pecém já tem três pré-contratos assinados com multinacionais. Porém são muitos os desafios, entre eles, a melhoria na infra-estrutura e a captação de recursos
Hidrogênio Verde
A primeira molécula de hidrogênio verde do País e da América Latina foi apresentada durante um lançamento no Complexo Termelétrico do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, no Ceará. Foto: Divulgação/Governo do Estado do Ceará

O Ceará é destaque quando o assunto se trata de produção de energias renováveis, especificamente em se tratando de energia eólica e solar. Conforme dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), juntas, as fontes correspondem a 58% da produção local. A eólica desponta como líder da geração no estado, com 48,32%. Uma terceira personagem entrou em cena nos últimos tempos e assim como as suas precursoras, promete ser pioneira na terra cearense. 

A novidade em questão é o hidrogênio verde, uma tecnologia baseada na geração de hidrogênio – um combustível universal leve e muito reativo – por meio de um processo químico conhecido como eletrólise. Essa técnica faz uso da corrente elétrica para separar o hidrogênio do oxigênio que existe na água. 

As primeiras projeções da Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará apontam que essa nova tecnologia promete revolucionar a economia cearense, pelos calorosos valores que serão gerados com a produção do hidrogênio verde aqui no estado. Espera-se que até 2030, haja investimentos superiores a US$ 20 bilhões vindos especialmente de multinacionais e que sejam criados mais de 100.000 mil empregos.

Contratos pré-assinados

Até o momento, o Ceará já conta com três pré-contratos assinados para a produção de hidrogênio verde no estado, com as empresas AES Brasil (geradora de energia renovável, assinatura em setembro de 2022) , Casa dos Ventos e Fortescue (empresa australiana, assinatura em junho de 2022), além de 30 memorandos de entendimento com diversas empresas.

Hidrogênio Verde, comitiva.
O grupo contou com a participação de Jackie Xiang, presidente da Chint na América Latina, e de Shan Hao, diretor de negócios da Chint na América Latina. Eles foram recebidos pelo presidente do Complexo, Hugo Figueirêdo, e pelos vice-presidentes Rebeca Oliveira (Financeira) e Fabio Grandchamp (Operações). Foto: Divulgação/Complexo do Pecém

Em 29 de maio deste ano, uma comitiva da gigante chinesa Chint – empresa que produz equipamentos para a cadeia de energia inteligente – esteve no Ceará para conhecer o hub de hidrogênio verde que está sendo desenvolvido no estado. Os representantes chineses tiveram encontros na Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE) e no Complexo do Pecém. Foi a segunda visita do grupo ao Ceará, a primeira ocorreu em pouco mais de um mês, no dia 19 de abril.

Ceará desponta na corrida pelo hidrogênio verde

Em janeiro deste ano, a primeira molécula de hidrogênio verde produzida no Brasil foi lançada no Ceará. A iniciativa se deu a partir de um projeto piloto no Complexo Termelétrico do Pecém (UTE Pecém), em São Gonçalo do Amarante, que tem à frente a EDP Brasil e parceiras estratégicas. Com investimento de R$ 42 milhões, a unidade instalada no Complexo do Pecém é a primeira do Ceará, da América Latina e a primeira do Grupo EDP. 

Para justificar as potencialidades que o Complexo do Pecém possui quando se trata de hidrogênio verde, o presidente da instituição, Hugo Figueirêdo, cita a visita do primeiro-ministro dos Países Baixos, Mark Rutte, onde veio ao Brasil no último dia 10 de maio, não só para compromissos com o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mas também no Complexo do Pecém, onde se encontrou com o governador do estado, Elmano de Freitas (PT). 

“Ele esteve aqui para participar da assinatura de acordos para a criação do Corredor de hidrogênio verde (Green Hydrogen Corridor), entre o Porto do Pecém e o Porto de Roterdã, e da Parceria de Portos Verdes (Green Ports Partnership), entre o Ceará e os Países Baixos”, afirmou.

Conforme o presidente do Complexo, isso comprova “que nosso potencial é grande”. “Temos abundância em energias renováveis (solar e eólica), o que vai fazer com que até 2050 tenhamos o preço mais competitivo do mundo, segundo estudos da Bloomberg e Mckinsey. Além disso, o Ceará tem investido fortemente em educação nos últimos anos, ocupando o topo dos principais rankings de escolas e universidades”, completa.

Para Hugo, o Ceará tem criado um ambiente de governança que irá organizar e facilitar a instalação dessas empresas. “Tudo isso unido às facilidades do Complexo do Pecém, com sua área de ZPE, o terminal portuário e a sociedade com o Porto de Roterdã”, completa.

Nem tudo são flores

Assim como diz o ditado “nem tudo são flores” e o advento do hidrogênio verde no Ceará tem alguns desafios. Hugo diz que o Porto do Pecém deve ser modernizado para receber o Hub de hidrogênio verde. “Para que esses contratos se concretizem e que seja possível operar a exportação de 1 milhão de toneladas de H2V pelo Pecém, será necessário um investimento de R$ 2,2 bilhões até 2027”.

Essa projeção inclui recursos da CIPP e também das empresas: R$ 1 bilhão desse total deve ser aplicado pelo Complexo, enquanto os outros R$ 1,2 bilhão serão pelas empresas do setor instaladas no Pecém.

Essas melhorias, segundo ele, vão beneficiar o Complexo do Pecém como um todo. “A projeção é de que deve ser criado um corredor de utilidades, por onde vão circular os dutos de amônia, gás natural, hidrogênio e a rede de energia elétrica. Já as empresas devem construir os dutos, a tancagem desses combustíveis e o terminal para receber a produção e embarcar no Porto do Pecém”, diz.

Dentre as obras que cabem ao Complexo, o píer 2 do terminal portuário deve sofrer adaptações para a operação de amônia e hidrogênio verde. Além disso, uma nova subestação deve ser feita para garantir que haja energia suficiente para os eletrolisadores (usinas onde é gerado o H2V). 

Figueirêdo acredita ainda que o Ceará vai ser referência em hidrogênio verde, assim como é com as energias eólica e solar. “O Porto do Pecém e o Porto de Roterdã formarão a rota de exportação/importação de H2V mais próxima entre a América do Sul e a Europa. A demanda por hidrogênio verde através de Roterdã para a Alemanha pode chegar a 20 milhões de toneladas/ano até 2050, das quais 18 milhões de toneladas virão de importações”, pontua.

Ele afirma que com uma produção estimada de 1,3 milhão de toneladas de H2V/ano em 2030, o Complexo do Pecém tem potencial para atender 25% da demanda de importação de Roterdã.

O papel do governo

O Governo do Ceará tem realizado uma série de incentivos para o desenvolvimento do hidrogênio verde no estado. As ações são feitas em conjunto com a iniciativa privada, representada pela Federação das Indústrias do Ceará (Fiec) e academia, através da Universidade Federal do Ceará (UFC). 

Conforme o secretário do Desenvolvimento Econômico do Ceará. Salmito Filho, o Governo participa com a criação de políticas públicas estaduais e com a infraestrutura do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP). Além disso, realiza outros incentivos através de decretos ou regulamentações

“A Federação das Indústrias do Ceará (FIEC) participa com os esforços necessários para agregar valor à cadeia produtiva industrial local e através do SENAI, capacitar a mão de obra necessária. Já a Universidade Federal do Ceará (UFC) participa no apoio ao desenvolvimento técnico-científico com os estudos e soluções tecnológicas e de inovações necessários ao Hub do hidrogênio verde”, esclarece o secretário.

Os desafios listados por Salmito ligados à produção de hidrogênio verde no estado. vão de encontro aos mencionados por Hugo Figuerêdo. Para o secretário, são “naturais” de uma nova tecnologia que se encontra em desenvolvimento. 

“Por exemplo a preparação da infraestrutura para a implantação dos projetos, a disponibilização de energia e a água em grande escala para todos os processos industriais, com o planejamento para a construção de linhas de transmissão, redes de tratamento de água de reuso ou mesmo de dessalinização, além das obras para armazenamento, transporte e despacho do hidrogênio e de seus derivados”, diz.

Também estão elaborados planos para a capacitação da mão de obra que vai trabalhar nas unidades de produção. Encontra-se em desenvolvimento o mercado doméstico e de exportação para a utilização do hidrogênio verde nos campos da mobilidade, da geração de energia, da indústria de transformação de aço verde, da produção de fertilizantes verdes, dentre outros.

Embora haja desafios iminentes, há uma luz no fim do túnel que justifica todo o esforço. Segundo Salmito, a estimativa atual é podermos ter investimentos superiores a US$ 20 bilhões até 2030, com criação de mais de 100.000 empregos.

“Com isso propiciando criação de emprego e renda em toda a cadeia produtiva do hidrogênio verde e de seus derivados, propiciando desenvolvimento econômico e social, reduzindo a pobreza e criando oportunidades para os cearenses”, afirma.

Demanda global 

À medida que a vida na terra cresce, mais demanda de energia se fará necessária. 

As mais recentes estimativas da Agência Internacional da Energia (AIE), publicadas no final de 2019, preveem um aumento da demanda global de energia entre 25 e 30% até 2040 o que, em uma economia dependente do carvão e do petróleo, resultaria em mais CO2 e o agravamento das mudanças climáticas. 

Todavia, a descarbonização do planeta propõe um mundo diferente até 2050: mais acessível, eficiente e sustentável e movido por energias limpas. Nesse cerne, o hidrogênio verde se destaca como peça-chave, já que pode ser obtido através de fontes renováveis. 

Parcerias já existentes com empresas nacionais e internacionais

FIEC, UFC, os Institutos Federais de Educação (IFCE), CIPP, Porto de Roterdã, GIZ, McKinsey, Banco Mundial;

Empresas que assinaram Memorandos de Entendimento com o Governo do Estado do Ceará

Enegix Energy

• White Martins

• Qair

• Fortescue

• Eneva

• Diferencial

• Hytron

• H2helium

• Neoenergia

• Engie

• Transhydrogen Alliance

• Linde

• Total Eren

• AES Brasil

• Cactus Energia Verde

• Casa dos Ventos

• H2 Green Power

• Nexway

• Enel Green Power

• HDF

• Mitsui

• ABB

• Gold Wind

• Alupar

• Mingyang Smart Energy

• Spic

• Gansu Science & Technology Investment

• Platform Zero (Complexo do Pecém + 13 instituições de cinco países)

• Green Hydrogen Corridor (Complexo do Pecém, AES Brasil, Casa dos Ventos, Nexway, Havenbedrijf Rotterdam, Fortescue e EDP)

• Voltalia

Confira alguns dos  decretos ou regulamentações já implementados pelo Estado que favorecem o Hub de Hidrogênio. 

Decreto 34.221/2021, de 03/09/2021, que desobriga a retenção do ICMS devido por substituição tributária incidente sobre a entrada de energia elétrica no Ceará, para a produção de hidrogênio verde;

Decreto Nº 34.283, de 07 de outubro de 2021, que formaliza o compromisso de adesão do estado do Ceará às campanhas “Race to Zero” e “Under2 Coalition”, no âmbito da convenção-quadro das Nações Unidas sobre mudança do clima;

Decreto Nº 34.733 de 12/05/2022, o qual institui o Plano Estadual De Transição Energética Justa – Ceará Verde;

Decreto Nº32.438 de 08 de dezembro de 2017, que regulamenta a Lei nº 10.367 de 07-12-1979 acerca do FDI – Fundo de Desenvolvimento Industrial.

Resolução Nº 3 DO COEMA – Conselho Estadual de Meio Ambiente, de 10/02/2022: Dispõe sobre os procedimentos, critérios e parâmetros aplicáveis ao licenciamento ambiental para empreendimentos de produção de hidrogênio verde no Ceará

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