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Saiba porque o Pix e novos sistemas estão revolucionando o Brasil e o mundo

No início de agosto, o Pix bateu a marca de 140 milhões de transações em 24 horas. Foram cerca de 142,4 milhões de transferências via Pix no dia 4 deste mês
O Pix foi lançado no Brasil em novembro de 2020. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

“Aceita Pix?” Você provavelmente já deve ter feito essa pergunta ou ter escutado, dependendo do ângulo que esteja, pessoal ou profissional. O fato é que a ferramenta lançada no Brasil em novembro de 2020, ganhou adesão em massa dos brasileiros e tem se tornado umas das principais formas de pagamento utilizadas na atualidade. Para se ter ideia, no início de agosto, o Pix bateu a marca de 140 milhões de transações em 24 horas. Foram cerca de 142,4 milhões de transferências via Pix no dia 4 deste mês.

Rapidamente a nova ferramenta ganhou popularidade no Brasil e de lá para cá, os números só disparam. Em 2022, conforme apontou a pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2023, da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o número de operações de pagamento e transferência de valores feitas por meio do Pix chegou a 11,7 bilhões, 105% acima do registrado no ano anterior.

O aumento se estende ao número de usuários – pessoas físicas e jurídicas – que realizaram, no mínimo, 30 transações instantâneas pelo Pix, por mês: foram 46 milhões de usuários de alta frequência, uma elevação de 131% em comparação ao ano anterior. 

A quantidade de usuários que recebeu mais de 30 Pix por mês, também teve forte alta: chegou a 33 milhões, um crescimento de 106% em comparação a 2021.

O economista Ricardo Coimbra, docente do curso de Economia da Universidade de Fortaleza (Unifor), o sistema de pagamentos instantâneo, aqui no Brasil batizado de Pix, é uma tendência mundial. “O fortalecimento e a estruturação dos sistemas de transferências de informações financeiras via transferência de haveres monetários tende a ser algo que deve se fortalecer cada vez mais ao longo do tempo”, diz. 

Segundo ele, não só em função do Pix. “Como a gente está desenvolvendo aqui o nosso real digital, outros países já tem a sua própria moeda de banco central e as criptomoedas são as moedas privadas, então essa é uma tendência mundial de movimentação financeira através do sistema digital”, considera. 

Coimbra destaca que o Pix vem facilitando os processos de negociação e de pagamento. “Principalmente das pequenas atividades, daquele dia a dia, do pequeno cidadão que presta um serviço, que comercializa um determinado produto e que precisa ou precisava de um sistema burocrático maior para que ele pudesse ter acesso e fazer essas ações financeiras pelo sistema financeiro tradicional”.

Como se reflete no caso da proprietária do Café no Lago, Carla Cleia, que utiliza o Pix desde quando foi implementado no Brasil e desde então tem feito dele um aliado. 

“Desde o começo que o Pix veio à tona eu habilitei no meu estabelecimento. O cliente não precisa trazer bolsa, carteira, somente com o aparelho celular já resolve. Porque fica mais prático até para o cliente não está trazendo bolsa, não está trazendo carteira”, justifica.

A profissional autônoma esclarece como funciona a comprovação do pagamento.

“O cliente faz o Pix, mostra para nós o comprovante. Nós vamos até o celular do estabelecimento e conferimos se realmente o Pix foi feito. O melhor de tudo: o cliente não paga taxa em nada, não paga nenhuma taxa”, afirma.

Em relação a demanda por pagamentos via Pix, em detrimento de outras formas como cartão ou dinheiro em espécie, Carla afirma que está “meio a meio”. “Porque com o Pix é mais prático, você não paga taxa de nada e no cartão até no débito, em dinheiro saindo da sua conta está pagando taxa para o estabelecimento e com o Pix não paga”. 

Acerca dessa questão, o economista Ricardo comenta sobre o impacto do Pix na utilização de dinheiro em espécie. A medida em que você passa a ter as transações de forma mais digitais e o Pix propicia isso, você tem uma demanda cada vez menor de ter a utilização da espécie e em função de ser mais seguro, ser mais rápido, as pessoas de um modo em geral estão priorizando a utilização do Pix para realizar das suas operações”, comenta.

Dois pesos duas medidas

Além de um histórico bem sucedido, o Pix traz consigo alguns tipos de perigos. Como a possibilidades de golpes. Informações da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) indicam que os números de ataques originados de engenharia social mais do que dobraram (+165%) entre o segundo semestre de 2020 e os primeiros seis meses de 2021.

Já em 2022, dados da Kaspersky – uma empresa tecnológica russa especializada na produção de softwares de segurança à Internet – apontam que o número de trojans (um tipo de software malicioso) bancários para celulares atingiu o maior número em seis anos, com cerca de 200 mil malwares do tipo identificados no período.

Sobre esse ponto Ricardo cita algumas medidas que podem ser tomadas para que se possa haver uma blindagem de golpes. “Dentro do aplicativo da instituição financeira determinar os volumes máximos de transferência diária para pessoas, para CPFs globais e para CPFs específicos”, diz. 

Ele diz ainda que caso o usuário costume realizar movimentação financeira para uma pessoa que já tenha um convívio, como pai ou mãe ou até mesmo para algum cliente ou fornecedor e vez ou outra precisa fazer transferências, há a possibilidade de cadastrar dentro de um cliente especial, determinando o limite a maior ou a menor daquele volume de transferência e para CPFs ou chaves desconhecidas um limite de transferências muito menor. 

“Isso gera uma potencialidade em relação a segurança, caso o indivíduo seja abordado criminalmente para tentar fazer uma transferência de um volume mais significativo. Então, ser interativo com a utilização do produto é extremamente importante para você evitar essas situações”, pontua. 

Por outro lado, há uma maior segurança, segundo ele, nas ações.” Mas o usuário tem que ser bastante atento e conferir sempre que possível no momento de fazer as transações , se para quem efetivamente ele está fazendo instantaneamente a transferência daquele recurso confere na qual ele precisa fazer aquela transferência”, alerta.

“Recentemente o Banco Central gerou a possibilidade de estorno mas também tem diversos critérios que são estabelecidos para que isso ocorra”, emenda. 

Outros “Pix” ecoam pelo mundo

Em julho deste ano, O Federal Reserve (Fed), banco central americano, anunciou que seu novo sistema de pagamentos instantâneos, o FedNow, está oficialmente ativo. 

A ferramenta americana também vai funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana. Agora, bancos e cooperativas de crédito de todos os portes podem se cadastrar e utilizar essa ferramenta para transferir dinheiro instantaneamente para seus clientes, a qualquer hora do dia, em qualquer dia do ano.

Outros países utilizam outros sistemas semelhantes ao Pix. Como por exemplo, em Portugal, o sistema MB Way permite transferências pelo celular, no entanto para aderir é preciso cadastrar um cartão bancário e um telefone celular. O processo é mais trabalhoso na comparação com o Pix, mas os portugueses têm a vantagem de poder fazer saques em caixas eletrônicos.

Além disso, o Bizum (Pix da Espanha) é bem parecido, mas é um sistema gerido por uma empresa privada em que os bancos podem aderir se quiserem. Nesse caso, o usuário pode cadastrar apenas o número do celular como chave, sem opções como CPF, CNPJ e e-mail, como no Pix brasileiro.

De acordo com a pesquisa Prime Time for Real-Time 2023, realizada pela ACI Worldwide em parceria com a GlobalData, mais de 70 países adotam sistemas de pagamento instantâneo. 

Abaixo, veja alguns países com um sistema avançado como o Pix, que possibilita transferência por smartphone:

Austrália

Bélgica

Brasil

Canadá

Chile

China

Colômbia

Dinamarca

Finlândia

França

Alemanha

Índia

Quênia

Malásia

México

Holanda

Noruega

Cingapura

África do Sul

Espanha

Suécia

Tailândia

Reino Unido

Estados Unidos

Histórico no Brasil

Embora tenha sido implementado na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o Pix vinha sendo estudado desde 2016, quando quem ocupava a cadeira de presidente da República era Michel Temer (MDB). 

Ainda naquele ano, uma equipe de servidores do Banco Central produziu um relatório no âmbito do BIS (Banco de Compensações Internacionais) sobre os benefícios e possíveis desenhos de sistemas de pagamentos instantâneos. A ideia foi amadurecendo em 2017, através de estudos realizados em parceria com agentes do mercado financeiro e integrantes de outros bancos centrais.

Em maio de 2018, o BC instituiu um grupo de trabalho denominado “Pagamentos Instantâneos”, que se encarregou de produzir as especificações básicas do sistema que eventualmente viria a se tornar o Pix.

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