A cidade de Barro, no Cariri cearense, registrou 40,8 ºC na tarde de sexta-feira (25), atingindo o maior pico de temperatura do Ceará em 2023. No mesmo dia, Jaguaribe registrou pico de 40,4 ºC e Santa Quitéria, 38,9 ºC. Esses são alguns dos números da última semana, que tem sido uma das mais quentes no estado.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prorrogou até segunda-feira (28) o alerta de onda de calor e a baixa umidade em 117 municípios do Ceará. Apenas cidades na faixa litorânea e algumas da Região Norte e Vale do Jaguaribe ficaram de fora da lista. A Defesa Civil do Ceará também emitiu um aviso alertando sobre as altas temperaturas que atingirão alguns municípios.
De acordo com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), as altas temperaturas são comuns para o período. Conforme o órgão, com a escassez de chuvas e o céu mais claro, há uma maior incidência da radiação solar, deixando a atmosfera mais aquecida.
Mas há também outra justificativa: ondas de calor como as registradas em diversas regiões do país nesta semana seriam resultados das alterações climáticas nos últimos 60 anos. Um levantamento do Inmet mostrou que, neste período, houve redução de chuva e as temperaturas do país estão elevadas em 1,5°C.
As regiões Nordeste, Norte e parte da Região Centro-Oeste foram as que tiveram mais alterações, especialmente na divisa dos estados do Pará e Tocantins e na divisa entre o Maranhão e o Piauí. O estudo também aponta a possibilidade de aumento na frequência, intensidade e duração desses eventos extremos climáticos, como calor, seca e inundações.
A publicação das Normais Climatológicas do Brasil para o período de 1991-2020 fez um comparativo com a edição anterior (1961 – 1990) para analisar as mudanças no clima do Brasil nos últimos 60 anos.
Chuvas
O levantamento observou ainda redução das chuvas em toda a Região Nordeste. O destaque ficou com a estação de Cipó (BA), onde houve uma redução do acumulado de chuva anual de 685,8 mm, seguido por Parnaíba (PI), com redução de 599,5 mm e Aracaju (SE), com 505,9 mm. Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, além de algumas áreas da Região Norte, também foram identificadas reduções menos intensas de chuva, com valores entre 50 mm e 100 mm.
Já na Região Sul, oeste da Região Norte, além de áreas da Região Sudeste, as chuvas apresentaram um aumento de 100 mm a 250 mm nos últimos anos, principalmente nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Roraima e Acre. Em Codajás (AM), houve aumento de 741,9, em Bambuí (MG) de 590,2 mm e em Chapecó (SC) de 509,1 mm.




