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Dia Mundial do Doador de Medula Óssea: as histórias de quem doa e de quem recebe

Conheça a história de dois Andrés, um doador e um receptor, que de maneira separada buscaram aumentar a conscientização sobre doação de medula no Brasil.
André Torres, criador do projeto Caçadores de Medula, descobriu que precisaria de um transplante de medula após um diagnóstico de leucemia em 2018. Desde então, tem trabalhado para disseminar conscientização. (Foto: Acervo pessoal)

No terceiro sábado de todo mês de setembro é comemorado o Dia Mundial do Doador de Medula Óssea, em homenagem às pessoas que se dispõem a estender a mão para que outra possa ter uma nova chance de vida. E o relato de quem doa ou de quem recebe é o mesmo: cheio de emoção.

André Torres, diagnosticado com leucemia em 2018 e receptor de medula, criou o projeto Caçadores de Medula a partir da percepção de que poderia fazer muito mais por si e por outros pacientes em necessidade de um transplante. 

 “Transplante de medula pra mim significa renascimento. Eu estava com 96% por cento de células cancerígenas e hoje eu estou 100% curado, tudo porque alguém disse ‘sim’. Alguém que tinha sido abençoado com saúde e decidiu doar um pouco dela pra alguém”, conta.

Já André Matos, o Dedeco, doador em 2013, lidera o projeto Flamedula, uma iniciativa do Clube de Regatas Flamengo para disseminar informações corretas e inspirar mais possíveis doadores pelo país.

Cada um com sua história, dois lados opostos de um ato tão importante, mas ambos tocados pela vontade de espalhar a importância do cadastro de doador de medula. Leia mais sobre a história desses xarás:

André Torres, sua esposa Maytê e o filho do casal, Davi. (Foto: Acervo Pessoal)

A história de quem recebe

Em junho de 2018, o cearense André Torres se considerava no auge de sua carreira profissional na área comercial. De repente, leves dores de cabeça e febre passaram a fazer parte da sua rotina, a ponto de tomar de um a dois remédios por dia. “Como não era algo que me fazia parar, eu continuei trabalhando na minha rotina normal. Imaginei que era uma virose, ou algo do tipo, porém isso se prolongou por quinze dias”, conta.

Após muita insistência da mãe e da esposa, André decidiu procurar um clínico geral na emergência. O diagnóstico inicial foi uma “murrinha”, como se chama no Ceará o cansaço causado por excesso de trabalho. Mas os exames de sangue ali feitos retornaram com intensa preocupação do médico e uma ordem de internação imediata. 

Algumas horas depois, veio o diagnóstico final: leucemia aguda indiferenciada, com uma mutação genética chamada cromossomo Filadélfia. “Somente com esse diagnóstico, por ter 96% de células cancerígenas no corpo, rapidamente me indicaram um transplante de medula óssea”, relembra. O próximo passo, que não seria tão fácil, era encontrar um doador.

No geral, existe 25% de chance de que uma pessoa encontre um doador de medula dentro da própria família. Com dois irmãos, André não teve essa sorte. E as estatísticas pioraram, porque as chances de se encontrar um doador do banco de medula óssea é de uma para cada 100 mil cadastros. “Era muito difícil. Realmente deu um frio na barriga pensar nessas estatísticas e a gente resolveu não cruzar os braços”, André relata.

A partir de então, ele e sua família começaram uma verdadeira caçada. Fizeram uma intensa campanha nas redes sociais e até levaram o Hemoce para dentro de empresas para coletar cadastros. Em questão de dois a três meses, foram 1.500 cadastros realizados pela campanha. E então, uma ideia inicialmente de causa própria, para aumentar as chances de um transplante, aos poucos se tornou um propósito de vida, que deu sentido a tudo aquilo.

“Inicialmente era uma causa própria. Mas aos poucos Deus foi colocando no meu coração, no coração da minha família que aquilo ali não era só pra mim. Aquilo ali também iria beneficiar vários outros pacientes que estavam na mesma situação que eu.”. E foi assim que surgiram os “Caçadores de Medula”.

Dessa foto do filho de André, Davi, usando uma plaquinha despretensiosa feita pela mãe, veio a inspiração para o personagem “supercaçador de medula” e para o nome do projeto. (Foto: Acervo pessoal)

A doadora que viria a salvar a vida de André, porém, teve que vir de muito mais longe. No Brasil, não se encontrava um doador 100% compatível, e a melhor opção surgiu nos Estados Unidos: com 90% de compatibilidade, de um registro feito há mais de uma década. Testes foram feitos para minimizar os riscos, e a doadora disse sim à coleta de medula. Entre ser diagnosticado e encontrar uma doadora, foram cinco meses.

“Eu falo muito que o doador quando realiza um transplante ele não salva apenas a vida do paciente. A minha doadora fez com que meu filho não crescesse sem a lembrança do pai. Meus pais não tiveram o desprazer em vida de ter que enterrar um filho. Então isso é muito forte pra mim”

André em videochamada com sua doadora norte-americana. (Foto: Acervo pessoal)

“Eu fiz o tratamento, fiquei com algumas sequelas, mas o projeto não parou, eu tomei isso como missão mesmo”, pontua André. Hoje o projeto “Caçadores de Medula” trabalha de forma muito ativa nas redes sociais, levando informação a potenciais doadores e acolhimento aos pacientes que aguardam por um transplante de medula.

Atua também presencialmente, realizando eventos presenciais em parceria com o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce). Neste ano, o principal acontece neste sábado (16), Dia Mundial do Doador de Medula, com atividades concentradas no posto de coleta na Praça das Flores, na Aldeota, em Fortaleza.

O relato de quem doa

André Matos, conhecido como Dedeco, trabalha com oncologia, especificamente com transplante de medula óssea, e estava cadastrado como doador de medula desde 2011. Em 2013, para a surpresa do carioca, surgiu uma compatibilidade e ele pôde fazer a doação. “Depois de quase três anos eu conheci esse paciente e foi uma das maiores emoções que eu senti”, lembra.

Sócio do Clube de Regatas do Flamengo, ele reparou que o clube possui um programa de consulados e embaixadas que, em diversas datas importantes do ano, promove ações sociais temáticas. Percebendo a ausência do Dia Mundial do Doador de Medula, ele pediu a inclusão da data no calendário, e foi aceita. Sendo assim, no mês de setembro, essas entidades compartilham informações sobre a causa.

Com seu trabalho na área, Dedeco percebeu que muitos pacientes estavam sempre precisando de campanha, e que era algo pouco divulgado, então ele uniu o útil ao agradável, e daí surgiu o Flamedula, que aparelha o programa de consulados e embaixadas do time carioca para buscar possíveis doadores e disseminar informação correta sobre o assunto.

“A maioria da população acha que a doação é feita pela coluna, e precisava quebrar esse paradigma. Por isso que é um cadastro consciente. Antes o cadastro era muito direcionado a um familiar, um conhecido que precisava. Tem que mudar o pensamento de que é uma doação para apenas um paciente, porque se não for compatível com uma pessoa, pode ser pra outra.”

Dedeco é cadastrado como doador de sangue, de plaquetas e também de medula óssea. (Foto: Acervo pessoal)

A iniciativa promove campanhas por todo o Brasil durante o ano inteiro. “O Flamengo tem uma capilaridade muito grande, consulados e embaixadas em todo o Brasil e também em outros países. Se tem uma pessoa lá em Curitiba precisando de campanha, a gente faz campanha, marca o pessoal lá de Curitiba pra poder fazer as ações e também quem puder doar. E vai Manaus, Natal, Brasília, Goiânia, Cuiabá, no Brasil, Belo Horizonte, Juiz de Fora, qualquer canto do Brasil. Se a gente se prontificar em fazer a campanha, a gente vai ter esse alcance”, relata.

Outro trabalho importante do Flamedula está no contato direto com potenciais doadores. Segundo Dedeco, não é incomum que pessoas cadastradas, na hora em que são chamadas para efetivar a doação, sintam medo, tenham dúvidas sobre o procedimento, e pensem em dizer “não”. Aí entra o papel do grupo de informar e esclarecer.

Além do trabalho pelas redes como Instagram, o Flamedula possui ainda um canal de Youtube, onde Dedeco e outros especialistas como oncologistas e hematologistas derrubam os principais mitos envolvendo a doação de medula. São informações básicas que são de muita ajuda para quem acabou de se descobrir precisando de um transplante, ou então, convocado para doar.

“Quando o paciente é diagnosticado, eles ficam sem chão. Não sabe o que fazer. É um mundo novo. O que é medula óssea? O que é leucemia? Como se faz o transplante? Como é que faz o cadastro? Aí a gente estende a mão e fala ‘ó, conte conosco que a gente está aqui pra ajudar’. Com isso a gente une forças, começa a fazer campanha pra pessoa. Essa onda do bem acaba espalhando, compartilhando e daí surgindo novos doadores”, finaliza.

Dedeco conseguiu unir sua paixão pelo Flamengo com seu trabalho de anos com oncologia e transplante de medula. (Foto: Acervo pessoal)

Seja um doador de medula óssea

Para ser um doador de medula óssea é necessário se cadastrar no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME). Basta ter entre 18 e 35 anos e não apresentar histórico pessoal de doenças oncológicas, um documento de identidade e telefones para contato. 

Em qualquer centro de hematologia, o voluntário preencherá uma ficha com dados pessoais e terá coletada uma amostra de 5ml de sangue. Pessoas já cadastradas devem ficar atentas para o caso de serem convocadas e devem avisar quando houver mudança de endereço e/ou de contato.

Quer saber como você pode se cadastrar e ser um possível doador? Confira no vídeo do Flamedula:

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