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Dia do Nordestino: a celebração do protagonismo do cinema do Nordeste pelo Brasil

Celebrada no dia 8 de outubro, a data tem como objetivo ressaltar a importância cultural e social da região Nordeste para todo o país.
No meio audiovisual brasileiro, o Nordeste vem encontrando seu espaço desde a década de 1940 e 1950, com narrativas que definiam sonhos e esperanças
No meio audiovisual brasileiro, o Nordeste vem encontrando seu espaço desde a década de 1940 e 1950, com narrativas que definiam sonhos e esperanças (Foto:Divulgação)

No dia 8 de outubro, é comemorado o Dia do Nordestino. A data é uma homenagem ao poeta popular, compositor e cantor cearense Antônio Gonçalves da Silva, conhecido como Patativa do Assaré. O objetivo é homenagear a cultura nordestina, reconhecer suas tradições e expandir os debates sobre a valorização da sua cultura e da luta contra o preconceito pela região. 

A região Nordeste é a segunda mais populosa do Brasil, com 58 milhões de habitantes. São 6 estados que abrangem 18% de todo o território nacional. E nessa grande porção de lugares, pessoas e culturas, se encontra um grande polo social e econômico brasileiro, com sua devida importância e representação histórica. 

Essa representação cultural do Nordeste está presente no imaginário popular brasileiro de diversas formas, como a música e o artesanato. Porém, uma dessas expressões vêm recebendo bastante destaque nas últimas décadas, e deixando sua marca poderosa naqueles que entram em contato com suas produções: o Cinema Nordestino.

Entenda um pouco mais da construção e disseminação desse gênero da sétima arte que, dentre suas inúmeras formas e linguagens, se destaca por ressaltar as características da luta de um povo que sabe muito bem como lidar com as adversidades da vida, aconteça o que for.

A construção histórica das telas

No meio audiovisual brasileiro, o Nordeste vem encontrando seu espaço desde a década de 1940 e 1950, com narrativas que definiam sonhos e esperanças de um povo castigado por suas dores na busca por encontrar melhores condições fora de sua terra natal. 

Pouco a pouco, as temáticas foram se desenvolvendo, e o cinema novo dos anos 1960 abraçou filmes como “O Pagador de Promessas”, “Barravento” e os clássicos “Vidas Secas” e “Deus e o diabo na terra do sol”.

Com a revolução tecnológica do cinema brasileiro nos anos 1990, e a possibilidade de se fazer filmes com mais facilidade com os equipamentos digitais, muitos filmes nordestinos não falavam necessariamente sobre a seca ou a fome. No entanto, alguns casos pontuais ainda poderiam ser vistos, como os longas “Eu, Tu, Eles” e “O Caminho das Nuvens”.

Mas uma película em particular fez história no cinema nacional e trouxe a representação nordestina ao seu auge para todo o Brasil. Adaptando a obra clássica do teatrólogo Ariano Suassuna, “O Auto da Compadecida”, de Guel Arraes, demonstra como a simplicidade e as tradições de um povo perpassa até mesmo o Céu e o Inferno, sempre com o toque de humor e sátira característicos de milhões de pessoas.

Com o passar dos anos 2000, a expansão do cinema nordestino se mostrou cada vez mais presente nos circuitos comerciais e no gosto popular pelo próprio cinema brasileiro. De Glauber Rocha a Kleber Mendonça Filho, passando por Cláudio Assis e indo até Halder Gomes, os filmes produzidos bebem do cinema crítico e político, marcas registradas de obras que não poupam papas na língua para denúncias sociais e a valorização da cultura regional.

Hoje em dia, obras como “Bacurau”, “Cabeça de Nêgo” e todo o universo de filmes do ator Edmilson Filho, demonstram as diferentes facetas de se representar o Nordeste para os próprios nordestinos, e como levá-lo para a assimilação de grande parte da população brasileira.

História de uma vida imersa na arte

Sobre a propagação do cenário nordestino no meio audiovisual brasileiro, Glauber Filho, diretor e professor da Universidade de Fortaleza (Unifor), conversou com a UrbNews sobre suas experiências na direção de filmes e como o Nordeste se encontra na indústria de cinema local.

O cineasta é natural de Fortaleza e começou sua carreira dirigindo curtas metragens e pequenos filmes para aperfeiçoamento das suas próprias habilidades. Ele veio da grande onda do cinema independente dos anos 90, e até já fez cursos básicos sobre filmagem cinematográfica na Casa Amarela Eusébio de Oliveira.

“Fazer cinema nos anos 90 era muito difícil. Filmar em película era muito caro, existia um alto valor de produção e não havia políticas públicas de incentivo para se entrar no mercado. Mas a produção independente foi se mesclando ao trabalho profissional com a crescente do cinema digital, que muitas vezes é confundido com a profissão de video maker”, comenta o professor.

O diretor comenta que, mesmo nos dias de hoje, as dificuldades de se fazer filmes com grandes orçamentos ainda é de grande dificuldade. Porém, ele pontua que com o crescimento da internet e do acesso à equipamentos digitais, mais e mais pessoas têm se aventurado a fazer seus próprios trabalhos e sonhar cada vez mais longe nos rumos dessa profissão.

Glauber Filho realizou obras como “As Mães de Chico Xavier” e a cinebiografia do médico Bezerra de Menezes, ambos rodados no Ceará. Ele também participou da produção do longa “Cine Holliúdy”, junto com Halder Gomes, e destacou esse como sendo um grande trabalho colaborativo.

“Foi uma soma de experiências de vários realizadores. Eu e ele [Halder Gomes] percebemos uma demanda por filmes como esse e assim fizemos, o que acabou se tornando um grande sucesso. Os distribuidores da época disseram que não foi só o filme, mas toda a estratégia de divulgação que nós montamos para promover a difusão da comicidade nordestina para todo o Brasil”, pontua o professor.

Mesmo com a divisão geográfica, Glauber Filho termina sua fala afirmando que, antes de tudo, o cinema nordestino é o cinema brasileiro, e que as duas interpretações devem coexistir juntas. Ele ainda dá conselhos para jovens cineastas, e aconselha para nunca desistir dos seus grandes sonhos, por mais difícil que pareça alcançá-los.

“Se o que você faz é uma verdade para você, então o apoio do mercado e seu reconhecimento vêm como consequência. É preciso ter paciência para o cinema, e principalmente entender que a obra é muito maior do que a autoria de quem a faz. Fazer filmes é uma porta para muitas boas relações e ótimas amizades que duram. Então, acima de tudo, se divirta!”, finaliza.

A difusão por meio de celebrações

Muitas das primeiras chances de diretores, roteiristas e produtores independentes integrarem o mercado nacional é através de festivais de cinema. Esses eventos selecionaram várias obras nacionais e regionais e os expõem para públicos ávidos à sétima arte, junto de pessoas importantes da indústria.

Pensando nisso, a operadora de cinemas Cinépolis, em parceria com a Bolandeira Arte & Films, realizará o primeiro Festival de Cinema só com filmes nordestinos. A solenidade acontece entre os dias 12 e 18 de outubro em quatro capitais do Nordeste. Serão elas: João Pessoa (PB), Fortaleza (CE), Natal (RN) e São Luís (MA).

Serão mais de 30 filmes exibidos no evento. Em Fortaleza, as sessões acontecerão no Shopping Riomar e incluirão filmes como “Currais”, “A Praia do Fim do Mundo” e “Soldados da Borracha”. Também será homenageado o cineasta e roteirista cearense Rosemberg Cariry.

O diretor do Cinépolis, Luiz Gonzaga de Luca, ressalta o objetivo do festival em levar o público local a conhecer mais obras da sua região e apoiarem mais trabalhos de cineastas estreantes no mercado. “Muitos cinemas do Brasil realizam festivais que engrandecem a cinematografia de outros países. Contudo, não existe um festival não competitivo que mostre a riqueza dos filmes produzidos fora do eixo Rio-São Paulo”, complementa.

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