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Estrelas olímpicas refletem sobre a importância de cuidar da saúde mental

Saiba o que atletas de alto nível como Simone Biles, Rayssa Leal e Noah Lyles fazem para acalmar a mente.
Simone Biles e Rayssa Leal são duas atletas que, além de colecionarem feitos impressionantes nos respectivos esportes, reconhecem a importância da terapia regular. (Fotos: Reprodução/X @TeamUSA e Confederação Brasileira de Skateboarding)

Simone Biles: a ginasta mais premiada de todos os tempos. Noah Lyles: o homem mais rápido do mundo. Rayssa Leal: um fenômeno do skate de apenas 15 anos. Além de suas conquistas olímpicas impressionantes, esses atletas têm outra coisa em comum. 

Os três enfrentaram questões de saúde mental enquanto buscavam a excelência física em seus respectivos esportes. E todos eles, com a ajuda de terapeutas profissionais, conseguiram desenvolver estratégias para fortalecer a mente.

Para marcar este 10 de outubro, Dia Mundial da Saúde Mental, o Comitê Olímpico Internacional conversou com essas e outras estrelas do esporte sobre a importância de conversar sobre saúde mental, práticas que podem ajudar a acalmar a mente, e porque você não precisa ser um atleta de alta performance para priorizar seu bem-estar psicológico.

Confira:

Saúde mental: A coragem para falar…. e dar uma pausa

A revelação de Simone Biles sobre as questões psicológicas que a forçaram a sair da competição de ginástica no meio das Olimpíadas de Tóquio foi um divisor de águas nas discussões sobre saúde mental no esporte. Inspirados por sua franqueza, vários outros atletas olímpicos compartilharam experiências similares, e suas palavras tiveram efeito.

A campeã olímpica de BMX freestyle Charlotte Worthington foi uma das atletas que ouviu essa mensagem quando mais precisava. “Eu estava constantemente vendo o treino, a academia e o BMX como se tivesse que ser essa coisa difícil, desgastante. Tinha que sempre fazer coisas que eu não queria. Se eu não estivesse no chão, acabada, então não estava tentando o suficiente”, falou a atleta britânica.

“Eu perdi completamente o equilíbrio de quando era divertido e positivo. Você deveria ficar animado pelo que faz, e ter orgulho de si, e estava sendo o oposto disso. Nada era bom o suficiente e eu buscava muita aprovação externa”. Falar com outros atletas que passaram por situações parecidas depois de vencer o ouro olímpico deu um conforto a Worthington, que entendeu que ela não estava sozinha. Também a encorajou a dar um tempo do esporte, decisão que salvou sua vida.

O japonês Kanoa Igarashi também notou que a saúde mental se tornou um assunto maior, inclusive na comunidade surfista. “Saúde mental é um tema muito importante hoje em dia, e felizmente, pelo esporte e pelas redes sociais, se tornou um tema muito mais falado do que antes”, disse o medalhista de prata nas Olimpíadas de Tóquio. “Todo mundo tem problemas. Em todo o esporte todos estão falando disso com mais frequência.”

As pressões do esporte profissional e da vida diária

Existe muitas vezes uma aura de invencibilidade em torno de atletas olímpicos – mas, como eles mesmos dizem, sua incrível força física não é uma barreira contra dificuldades psicológicas, dúvidas ou estresse. 

“Eu não entendia o peso das Olimpíadas”, disse a brasileira Rayssa Leal, que tinha apenas 13 anos quando seus truques impressionantes no skate lhe renderam uma medalha olímpica de prata em Tóquio. “Eu comecei a fazer terapia. Comecei a falar com um psicólogo.”

Para Rayssa, procurar ajuda profissional foi a melhor coisa que ela fez. Existem muitas pressões que os atletas enfrentam, de lesões que ameaçam carreiras à pressão da imprensa, das federações nacionais e patrocinadores – tudo acontecendo em frente de milhares de espectadores. Porém, muitas vezes, a maior batalha vem de dentro.

“Estresse é o assassino silencioso. Como uma perfeccionista, às vezes é difícil lidar comigo mesma porque eu sempre espero mais de mim do que qualquer outra pessoa”, disse a eslovena Janja Garnbret, campeã de escalada em Tóquio 2020. “Normalmente, eu nem sinto pressão dos outros na comunidade de escalada, ou da imprensa, porque eu coloco muita pressão em mim mesma”. 

Perfeccionismo pode aumentar ainda mais quando recordes nacionais ou mundiais estão perto de serem alcançados, ou em esportes com júris, onde as pontuações perfeitas são um objetivo tão importante quanto medalhas de ouro. “Ser um atleta de alto nível é difícil”, conta a lutadora norueguesa Grace Bullen. “Muito disso é porque você trabalha demais sozinho, e ser capaz de não pensar nisso ou deixar de lado é uma das coisas mais difíceis de se fazer.”

O surfista Kanoa Igarashi concorda. “Você basicamente dedica sua vida a uma única coisa, talvez durante 70% do ano. Começa a te desgastar mentalmente, especialmente em um esporte como o surfe, onde você está em um ambiente fora do seu controle, surfando contra a Mãe Natureza. Você passa muito tempo fora de casa, são muitos sacrifícios envolvidos”. E quando o desgaste mental é grande, os resultados caem também.

“Os dois andam lado a lado, físico e mental. Eu diria que 50/50” disse a bicampeã de boxe Nicola Adams. “Você pode ver, por exemplo, que os atletas fazem coisas inimagináveis no treino. Eles estão em ótima forma e aí eles chegam no ringue e, de repente, tudo isso vai embora. Eles esqueceram da força que têm. Toda a coragem vai embora. E aí você fica ‘O que? O que aconteceu? Como esse lutador incrível desapareceu assim?’”

Para Adams, o momento mais difícil da sua carreira não foi enfrentar as lutadoras mais preparadas no ringue, mas sim a lesão grave na coluna que ela teve em 2010. Chegando ao ponto de não conseguir erguer os ombros do chão, a boxeadora britânica foi afastada do esporte por um ano, mas teve um retorno marcante e venceu o ouro em casa, nas Olimpíadas de Londres.

Enquanto os altos e baixos da carreira esportiva raramente têm a mesma amplitude no dia a dia, os bloqueios mentais que os atletas enfrentam não são tão diferentes das dificuldades diárias da maioria das pessoas. Charlotte Worthington notou isso depois de compartilhar sua história e ouvir seus amigos responderem que passaram por pressões similares em seus trabalhos comuns. 

“Desde que fiz isso [pausa para saúde mental], percebi que muitos dos meus colegas e amigos passaram por problemas psicológicos, cada um do seu jeito”, disse ela. “Isso ecoa em tantas carreiras diferentes e qualquer um que está tentando fazer algo da vida vai passar por períodos difíceis”.

Fazendo da saúde mental um hábito

Falar sobre problemas de saúde mental é quase sempre o primeiro passo para a melhora. O campeão olímpico de badminton Viktor Axelsen está entre os que defendem ser aberto sobre suas emoções, não importa quão sombrias elas sejam.

“É a habilidade de ser vulnerável e falar sobre qualquer coisa. Se você está nervoso sobre algo, se tem algo que você acha que não está funcionando pra você ou se sente que as expectativas estão demais. Existem muitas, muitas coisas diferentes que podem afetar sua mente”, disse o dinamarquês. “Tente ter alguém para falar sobre e não tenha medo.” 

Percebendo os benefícios do diálogo, alguns atletas fizeram das conversas sobre saúde mental parte de sua preparação para as Olimpíadas. O velocista campeão mundial Noah Lyles tem se aproveitado desses benefícios desde a infância. “Eu faço terapia desde que tinha provavelmente nove anos de idade, então não é nada estranho para mim. É muito normal. É natural,” disse.

“Saúde mental não é uma entidade por si só. É a vida diária. Estamos falando sobre as coisas da vida e você só se sente desconfortável porque se sente vulnerável, e é a sensação de vulnerabilidade que te impede de falar sobre. Mas ainda são as mesmas coisas que você passa diariamente então, tipo, ‘Vamos começar simples’.”

Simone Biles também fez da terapia parte de sua rotina semanal desde o ocorrido nas Olimpíadas Tóquio 2020, realizadas em 2021. Dois anos depois, ela coroa seu retorno triunfal ganhando quatro medalhas de ouro no Mundial de Ginástica Artística 2023, agora em outubro.

“Estou fazendo um esforço maior para cuidar da minha mente e do meu corpo, o que inclui fazer terapia uma vez por semana, geralmente quinta-feira é tipo o meu dia terapêutico e eu tento tirar um dia para mim”, disse a ginasta. “É muito importante que eu cuide da minha mente tanto quanto do meu corpo, especialmente nesse esporte e fora dele.”

Além de falar com profissionais, alguns atletas usam diferentes estratégias para manter a mente saudável. Para Nicola Adams, o truque é o planejamento meticuloso. “Algumas coisas são pequenas, tipo ser organizada e ter meu kit pronto para a competição, garantir que todos meus planos alimentares estão em ordem”, disse a boxeadora. 

“São esses 1% que aí você não tem que se preocupar mais. Você fica, ‘OK, meu kit está pronto. OK, não preciso mais pensar sobre a minha nutrição. Minhas refeições estão planejadas’. É deixar esses detalhes no lugar certo que aí só o que você tem que pensar é o boxe.” Aposentada do esporte há quatro anos, Adams continua fazendo meditação, yoga e visualização para manter a mente afiada.

Já para o skatista americano Nyjah Huston, o segredo é manter a mente ocupada e aproveitar os momentos simples da vida. “Como eu lido com o estresse? E acho que lido me mantendo ocupado e produtivo”, disse o multicampeão mundial. “Não importa se é praticando skate, malhando, fazendo trilha… Eu adoro fazer trilhas sozinho. É como limpo minha mente”. 

Com o Comitê Olímpico Internacional.

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