Uma nova série com produção de Hollywood chegou ao panteão das comédias sitcom, mas utilizando um meio inédito. Inspirada em “The Office” e seu estilo mockumentary, ou falso documentário, “Cobell Energy” aparece com a proposta de lançar seus episódios exclusivamente nas redes sociais, em aplicativos como TikTok e Instagram.
A produção mostra como uma família muito rica e despreparada chega ao comando de uma empresa de petróleo, na tentativa de deixar o produto popular para o público. “Faça o petróleo bom de novo”, uma referência ao slogan de campanha de Trump em 2016, é o que define a companhia.
A série é fruto dos esforços do produtor Adam McKay, que já trabalhou em outras sátiras como “A Grande Aposta”, pela qual ganhou um Oscar de melhor roteiro, e “Não Olhe para Cima”. McKay também é vencedor de dois Emmys de melhor série dramática, com a renomada “Succession”.
Apesar do nome de peso no envolvimento, os episódios da série ainda estão abaixo do esperado. Os primeiros não somaram nem 15 mil visualizações no TikTok e menos de 40 mil no Instagram. Ainda assim, a proposta da série abre mais um capítulo na discussão sobre o relacionamento entre público e mídia na era das redes sociais.
Muitos executivos de Hollywood podem pensar que o poder da Internet nos seus conteúdos é mínimo, mas exemplos recentes mostram o contrário. Este é o caso de “Coyote vs Acme”, uma produção da Warner Bros que foi cancelada com o filme já pronto. A repercussão negativa em redes como o Twitter foi tamanha, que o estúdio voltou atrás na sua decisão e permitiu que os criadores oferecessem o longa para outros estúdios, algo que havia sido negado anteriormente.
Se hoje em dia a Internet tem o poder de ditar o que é interessante ou não ser produzido para o público, não era de se esperar que chegasse alguma produção exclusiva para ela. Contudo, o alto orçamento e as ações de marketing talvez não sejam o suficiente para captar o interesse dos espectadores.
Em números, o adulto médio dos EUA gasta 58 minutos por dia no TikTok, bem próximo dos 62min/dia da Netflix. Por enquanto, Hollywood só aproveita um deles. No Brasil, a plataforma é a terceira mais assistida, com 3,1% de audiência. Os dados mostram que para fazer sucesso nas redes, é preciso se adequar à linguagem e a sua cultura.
Muitos influenciadores digitais e criadores de conteúdo independentes possuem suas próprias produções para o Instagram, por exemplo. Alguns deles, criando esquetes de comédia com personagens, enredos e reviravoltas completas voltadas para o vídeo na vertical. Eles são fruto da geração que já nasceu com acesso a essas tecnologias, por isso compreendem muito bem para quem eles estão comunicando.
Se “Cobell Energy” provará ser um sucesso com o tempo? Quem sabe. O que os fatos mostram são uma remodelação do conteúdo audiovisual para atrair o máximo de pessoas possíveis. Hollywood precisa voltar seus esforços para o que o público quer, e não o contrário. No fim, o consumidor que manda, pois é o que dizem, o cliente sempre tem razão.



