Uma das maiores coalizões globais pelo clima começa nesta quinta-feira (30) em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP28) chega com a expectativa de propor novos acordos sobre energias renováveis e também realizar debates sobre os casos expressivos de alterações climáticas em todo o mundo.
As preocupações de chefes de estado sobre a pauta climática não são à toa. Segundo o Balanço Global do Acordo de Paris, as emissões de gases de efeito estufa (GEE) bateram novos recordes de alta. A temperatura global já subiu 1.2ºC na média, e a previsão mais otimista coloca a trajetória do aquecimento global da ordem de 2.4°C a 2.6°C.
Desde que o Acordo de Paris foi assinado em 2015, esta é a primeira edição da conferência em que os países farão um balanço geral de suas ações até então. Depois da COP28, os países terão até 2025, quando uma nova reunião será sediada no Brasil, para apresentar novos planos para combater as alterações climáticas e avaliar se houve algum real progresso no assunto.
Para a COP28, o Brasil enviou uma grande comitiva a Dubai, liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O País espera ser um dos protagonistas nos debates, em um período onde o desmatamento da Amazônia apresenta queda, mas a grande exploração de petróleo em território nacional pode ofuscar a agenda positiva.
De acordo com o presidente, a conferência tem o potencial promissor de mostrar a realidade sobre as extremas mudanças climáticas do planeta, mas duvida que algum acordo decisivo sobre a questão seja formalizado. “Acho que nós vamos ter que mudar o jogo para que as pessoas aprendam que o planeta não está brincando, que o planeta está avisando ‘cuidem de mim porque senão vocês que vão perder”, afirmou em fala à imprensa.
O Brasil busca tratar com seriedade a questão das energias renováveis e a queda na produção de petróleo. Embora o País seja o nono maior produtor de combustível fóssil no mundo, avanços notáveis serão considerados pela comitiva em Dubai. Em 2022, fontes renováveis geraram 48% de toda a energia no país. Quando se considera só a produção de eletricidade, a fatia chega a 83%.
Dados como esse dão um novo fôlego à questão e apresentam a nação brasileira como uma das que, atualmente, mais tem realizado progressos quanto à queda da emissão de carbono.
Em entrevista ao Deutsche Welle, Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, afirma que outras agendas ambientais também serão destaque na fala do País. “O governo corrigiu a ‘pedalada de carbono’ do governo Bolsonaro, reativou o Fundo Amazônia, paralisado também por Bolsonaro, e tem um plano para o mercado de carbono”, explica.



