Um dos principais benefícios trabalhistas do país, o décimo terceiro salário tem a sua primeira parcela paga nesta quinta-feira (30) para muitos trabalhadores da iniciativa privada. A partir de 1º de dezembro, o empregado com carteira assinada começará a receber a segunda parcela, que deve ser paga até 20 de dezembro.
Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário extra injetará R$ 291 bilhões na economia brasileira neste ano. No Ceará, esse potencial é de cerca de R$ 7 bilhões até o fim de dezembro. O valor médio a ser pago no Estado é de R$ 2.163,65, enquanto o nacional é de R$ 3.057.
Uma dessas pessoas que recebe o dinheiro nesta quinta é Renágila Mesquita, analista sênior de RH. Para ela, esse valor será reservado e investido para quem sabe financiar uma viagem no ano que vem. “Hoje ele não está comprometido, é um valor que eu vou mesmo guardar pra investir, alguma coisa assim”, diz.
Mas esse nem sempre foi o caso. Com 13 anos de carteira assinada, Renágila conta que a responsabilidade com seu décimo terceiro foi mudando ao longo dos anos. Inicialmente, tratava como um dinheiro a mais para conseguir gastar ou, ainda, pedia um adiantamento desse valor para usar nas férias.
Esse comportamento mudou de um tempo pra cá, segundo ela. “Alguns anos eu peço adiantamento e já deixo em algum canto investido, pra poder render esse dinheiro. E alguns outros, como esse ano específico, eu acabei deixando pra pedir só no final do ano mesmo, pra poder me organizar financeiramente para a viagem seguinte”, explica.

Saber onde quer chegar
Segundo o economista Ricardo Coimbra, professor do curso de Economia da Universidade de Fortaleza (Unifor), é importante ter uma clara visão de quais são suas necessidades e objetivos financeiros, para que nem todo esse dinheiro extra seja direcionado para as compras de fim de ano, mas sim para o futuro.
“Para as pessoas que não tem nenhum tipo de endividamento, o décimo terceiro é uma oportunidade de investimento e gerar uma acumulação de recursos, pensando no objetivo de curto, de médio ou de longo prazo. Seja relacionado com uma viagem, com a aquisição de um bem de valor, como um veículo ou um imóvel, ou fazer uma graduação…”, comenta.
O professor lembra que é comum que as pessoas recebam o décimo em duas parcelas e, sendo o caso, usar uma delas para compras e a outra para fazer um reequilíbrio financeiro. “Muitas vezes também já organizando e pensando nos gastos adicionais que têm sempre no início do ano, como mensalidade, matrícula e livros, se tem filhos, ou impostos de um modo geral, IPTU, IPVA… Então serve também nesse momento para uma reorganização pensando no ano subsequente”, avalia.
Para aqueles que têm dívidas, o economista reforça que o ideal é aproveitar esse recurso para negociar, especialmente com o novo programa Desenrola Brasil, do Governo Federal. “Com o dinheiro na mão muitas vezes você consegue reduzir multas e juros. Ou seja, você tem um recurso adicional que você pode utilizar para o pagamento e renegociação dessa dívida”, recomenda.
“É interessante também priorizar e buscar negociar sempre aquelas dívidas que têm taxas de juros mais caras, pra que você consiga ter um reflexo menor sobre essa queda do seu endividamento e, muitas vezes, dá um direcionamento de como os próximos recursos serão geridos dentro do seu orçamento”, pontua.
De olho nos investimentos
Se o décimo terceiro não for utilizado para pagar dívidas ou compromissos de início de ano, como impostos ou matrícula da escola dos filhos, essa pode ser uma oportunidade para investir. O economista Ricardo Coimbra avalia que, mesmo nesse momento de taxa básica de juros em trajetória de queda, a renda fixa ainda é uma possibilidade rentável.
“A renda fixa, mesmo com essas quedas recentes da taxa Selic, ainda gera para muitos uma boa rentabilidade. Então você tem a renda fixa e também outras operações como o Tesouro Direto e, para aqueles que são mais preparados tecnicamente, direcionar uma parte desses recursos também para renda variável, ou seja, pro mercado de ações”, lista.
Para Arley Junior, Estrategista de Investimentos do Santander Brasil, se o objetivo for de curto prazo, aplicações conservadoras e que ofereçam liquidez (ou seja dinheiro disponível a qualquer momento) são as mais indicadas, como Fundos DI e Certificados de Depósitos Bancários (CDBs).
Como este dinheiro é um bônus, ou seja, um recurso a mais na renda, ele pode também ser destinado para investimentos que buscam retornos mais atrativos em um prazo maior, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), Letra Imobiliária Garantida (LIG) e os Créditos Privados, como Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRIs), Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e debêntures incentivadas.
Inclusive, as Letras e os títulos de crédito privado são isentos de Imposto de Renda (IR) para pessoa física. Além disso, os Certificados de Operações Estruturadas (COEs) e fundos multimercados também podem fazer parte da diversificação da carteira. “Mas são produtos indicados para prazos de 1 a 2 anos”, diz o especialista.
Para quem tem um horizonte maior, Arley indica aplicações em planos de previdência, que possuem diversos benefícios e opções para diversificação, e investimentos em ações ou fundos imobiliários. “Nestes dois últimos casos, é indicado para quem tem perfil mais arriscado.”
Ricardo Coimbra pontua que o importante é ter consciência do seu nível de familiaridade com investimentos para saber o quanto arriscar. “A depender do conhecimento e do entendimento que se tem sobre o mercado financeiro, sobre as operações financeiras, você pode montar uma carteira com recursos, seja na renda fixa e seja na renda variável”, finaliza.




