Comemorado por mais de 80 anos nesta data, o Dia Mundial da Propaganda foi estabelecido em honra ao primeiro congresso que reuniu profissionais da publicidade e propaganda em 4 de dezembro de 1936, na cidade de Buenos Aires, na Argentina.
Na era da revolução digital, a área da publicidade e propaganda experimenta transformações inéditas e vive a era da inteligência artificial, que representa a capacidade de sistemas tecnológicos para fazer tarefas que exigem inteligência humana Essa transição inaugura um cenário propício para estratégias mais inteligentes, personalizadas e eficientes.
A exemplo da assistente virtual Alexa, presente em tantos lares, o uso da Inteligência Artificial (IA), desde a redação até o design, está se tornando cada vez mais comum. A I.A é uma colaboradora criativa, sugerindo novas ideias, refinando mensagens e oferecendo uma abordagem inovadora à criação de campanhas e estratégias no meio publicitário.
Segundo Kendy Shirasu, diretor de criação da EBM QUINTTO, algumas agências estão iniciando um movimento de atualização com esta nova forma de trabalhar, principalmente na geração de imagens, na geração de conteúdo através do ChatGPT, e na área de business intelligence com análise de redes sociais.
“Estamos desenvolvendo algoritmos próprios para análise de dados de redes sociais com taxas de confiabilidade superiores a outras formas de análise de sentimentos. Também estamos criando ferramentas que auxiliam na geração de ideias e facilitam a produção de conteúdo de áudio e vídeo digital. Outra aplicação é fornecer possibilidades de soluções para problemas que enfrentamos para posterior discussão”, explica.
Desafios éticos na utilização
Lançada em julho de 2023, a divulgação de uma campanha publicitária feita pela Volkswagen que “resgatou” a presença da cantora Elis Regina, falecida em 1982, por meio da inteligência artificial, gerou discussões nas redes sociais.
No vídeo, a artista assume a direção de uma Kombi e canta a música “Como Nossos Pais”, de Belchior, ao lado de sua filha, Maria Rita. Alguns fãs mostraram-se tocados pelo dueto, porém, outros mostraram preocupações éticas sobre a manipulação da imagem de uma pessoa falecida.
Apesar de facilitar a produção rápida de conteúdo viral, a inteligência artificial não garante total confiabilidade. Existe o risco de acentuar as deficiências nas operações das redes sociais, especialmente ao impulsionar conteúdos questionáveis e divisivos.
Conforme Diego Henrique, publicitário e professor do curso de Publicidade e Propaganda da Unifor, os principais desafios éticos associados ao uso da IA é descobrir o limite da utilização, pois ainda tem muitas questões que precisam ser discutidas e o tempo do mercado é diferente do tempo da academia e dos órgãos reguladores.
“Guias que acredito que vão balizar essas discussões são a busca pela verdade e a proteção de dados do usuário. Nenhum consumidor aprova ser enganado ou ter dados usados de maneira indiscriminada”, afirma o professor.
Presente e futuro dos profissionais com a ferramenta
Como conselho para profissionais iniciantes na área de publicidade, Kendy Shirasu explica que a primeira abordagem seria criar familiaridade com A.I. no cotidiano acadêmico e entender que isso não é uma tendência, mas sim uma realidade em todos os segmentos. “41% das empresas brasileiras já estão utilizando A.I. para operações comerciais e 34% estão explorando seu uso. Isso é o presente, não o futuro”, conclui.
Victor Medeiros, estudante de Publicidade e Propaganda, diz que já teve a oportunidade de trabalhar com tecnologias baseadas em inteligência artificial durante a graduação e que continua estudando as atualizações. “Acompanho matérias falando sobre a evolução da I.A para estar sempre por dentro das evoluções e dos novos recursos, para que, assim, eu consiga mais auxílio em meus trabalhos”.
Exemplo do uso de IA
Um dos exemplos do sucesso no meio publicitário é uma espécie de ‘laboratório de design’ de tênis, o ‘Nike By You‘. Nesse espaço, os clientes têm a oportunidade de personalizar seu próprio calçado Nike, escolhendo entre várias opções de customização. Em apenas 45 minutos, eles saem com um produto exclusivo em mãos.
“A cadeia produtiva e logística é gerenciada por A.I. para lidar com tal especificidade. As personalizações também ajudam a identificar e detectar novas tendências para futuros lançamentos”, comenta Kendy sobre a campanha.
Na campanha “Se não existe, a gente inventa”, da Chilli Beans, foram criadas mais de 10 mil imagens por meio do modelo de cocriação com a IA para chegar às seis cenas finais do vídeo, além de produzir o texto da locução.
Outro exemplo, é a propaganda do Outback, que ressuscita figuras históricas como William Shakespeare, Cleópatra e Leonardo Da Vinci, proporcionando a experiência do rodízio.
De acordo com a Adobe Digital Insights, 50% das pessoas da geração Z e 42% dos chamados millennials acreditam que as redes sociais são mais relevantes que as outras plataformas, com isso, o mundo segue evoluindo tecnologicamente para alcançar todos os públicos.
*Matéria escrita pela estagiária Laysa Melo sob supervisão da editora Juliana Girão




