O Senado aprovou um repasse de empréstimos para a cidade de Maceió no valor de US$ 40 milhões, cerca de R$ 195 milhões, junto ao Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata). A decisão foi confirmada nesta terça-feira (5) e o Projeto de Resolução da ementa agora vai para promulgação.
De acordo com o relator do projeto, o senador Rodrigo Cunha (Podemos-AL), os recursos serão utilizados para a prevenção de catástrofes e para a estabilização de encostas, o que reduzirá o número de habitantes expostos ao risco de deslizamento.
A medida acontece em meio a um momento de tensão na capital alagoana, já que alguns bairros sofrem com o afundamento do solo e risco de colapso de uma mina em razão da exploração de sal-gema pela indústria petroquímica Braskem. Mais de 55 mil pessoas tiveram que deixar a região do bairro Mutange, que hoje está totalmente desocupada.
A velocidade do rebaixamento de solo na mina 18 voltou a diminuir e marcou 0,2 cm por hora nesta quarta-feira (6), a menor registrada pelo monitoramento nesta semana, segundo boletim da Defesa Civil de Maceió. O afundamento total da mina já é de 1,92m, com um rebaixamento de 4,9 cm nas últimas 24 horas. Ontem (5), a Defesa Civil reduziu o nível de atenção de alerta máximo para somente alerta.
Sentimento de revolta
Na manhã desta quarta-feira (6), alguns moradores das regiões afetadas em Maceió se reuniram com cartazes, placas e um coro que clama por melhores condições de moradia. Eles se reuniram na Avenida Fernandes Lima, um dos principais eixos da capital alagoana.
Nas faixas exibidas pelos manifestantes, havia frases contra a Braskem, a exploração de sal-gema e a desocupação das áreas afetadas pela mineração que causou o afundamento do solo em cinco bairros da capital. Além deles, outros moradores de bairros vizinhos se mobilizaram e pediram a inclusão da região no mapa de risco para receberem indenizações.
Auxílio para pescadores
Nesta semana, o governador de Alagoas, Paulo Dantas, esteve em Brasília para discutir formas de ajudar a população afetada, principalmente os pescadores da lagoa Mundaú, importante fonte de pesca de marisco. Após reunião com o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, ele anunciou o pagamento de um auxílio de R$ 2.640 para cerca de 6 mil pescadores e marisqueiras de Alagoas afetados pelo risco de colapso e desabamento da mina 18 da Braskem.
Na ocasião, o ministro dos Transportes, Renan Filho, que é de Alagoas, afirmou que esse pagamento será disponibilizado imediatamente, nos moldes do auxílio pago a pescadores afetados pela estiagem na Região Norte do país.
“O estuário lagunar Mundaú e Manguaba é um dos maiores centros do planeta em produção de proteína animal de origem lagunar e marítima. Então, isso é bastante relevante, muitas pessoas, pelo menos seis mil, têm a sua renda a partir da atividade produtiva da pesca e da coleta de marisco na lagoa”, explicou.
Outro pedido do governador Dantas foi a criação de uma mesa de acompanhamento, coordenada pela Advocacia-Geral da União (AGU), para garantir que a Braskem faça o pagamento de uma “indenização justa às famílias”. Segundo ele, a empresa comprou os imóveis da região e também pagou R$ 40 mil em indenização por imóvel. Para o governador, as vítimas não foram “plenamente indenizadas”.



