O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, venceu as eleições primárias do seu partido republicano no estado de Iowa. A vitória esmagadora deixa o atual pré-candidato em grande vantagem para se tornar o principal nome do partido para as eleições americanas em novembro deste ano.
O magnata de 77 anos obteve 51,1% dos votos nesta segunda-feira (15), muito diferente dos seus dois rivais, o governador da Flórida, Ron DeSantis (21,2%), e a antiga governadora da Carolina do Sul e ex-embaixadora na Organização das Nações Unidas (ONU) Nikki Haley (19,1%). A vitória, porém, não garante a candidatura de Trump, que além da votação interna do partido, ainda terá que lidar com seus problemas na justiça.
O ex-chefe da Casa Branca enfrenta problemas que envolvem a possível subtração de votos do caso da Geórgia; a ação civil que cobra indenização de US$ 250 milhões da Organização Trump por fraude bancária e fiscal; a ação indenizatória, por difamação, movida pela ex-colunista da revista Elle E. Jean Carroll; e a disputa judicial sobre sua possível inelegibilidade para ocupar cargo público.
Embora em desgosto com a justiça americana, Trump e sua popularidade perante seus eleitores parecem superar seus reveses, o que é demonstrado nos números de Iowa. Logo após o resultado, ele garantiu que se sente “reforçado” e extremamente “honrado”, e ainda repetiu seu slogan da campanha de 2016 em querer “fazer os EUA grandes de novo”.
As votações em Iowa, chamadas de cacaus, seguem uma maneira não tradicional de votação nos EUA. Lá são definidos os primeiros pré-candidatos de ambos os partidos, porém os eleitores devem participar de debates e ações dos indicados para, só depois de concluídas, escolherem um candidato e os delegados que deverão apoiá-lo. Uma das críticas feitas aos caucus é a de que exigem que os eleitores disponham de horas para participar fisicamente dos debates, o que restringiria a participação no processo.
Nem todos os americanos pensam em eleição
À medida que a disputa pela presidência americana se afunila, menos cidadãos parecem estar interessados na polícia, ou nos rumos do seu país. É válido lembrar que, ao contrário do Brasil, os Estados Unidos não possuem obrigatoriedade nas eleições. Ou seja, os candidatos e partidos precisam adotar estratégia para convencer seus eleitores a sair de casa para votar.
De acordo com uma pesquisa feita pelo instituto Pew Research Center, 65% dos americanos dizem que se sentem exaustos só de pensar em política, e 30% não aprovam e nem se sentem representados por nenhum dos dois partidos, seja Republicano ou Democrata. Dos entrevistados, apenas 26% consideram os candidatos satisfatórios, menos de 20% comparado à 2018, ano em que a confiança americana nos seus representantes também registrou baixa.
No fim, os indecisos são essenciais para as decisões eleitorais dos EUA, pois são eles quem definem aos seus Estados quem eles querem que votem para vencer a eleição a partir do Colégio Eleitoral. Ou seja, à medida que menos americanos se mostram interessados na política, menos oportunidades diferentes para candidatos se abrem, o que deixa as eleições mais focadas naqueles grupos que já estão bem consolidados com uma certa orientação.




