O primeiro lote da vacina contra a dengue, que será oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) chegou ao Brasil. Ao todo, uma remessa de 720 mil exemplares do imunizante Qdenga foram recebidas pelo governo neste último sábado (20), sem custo pelo laboratório japonês Takeda Pharma. A previsão é que as primeiras doses sejam aplicadas em fevereiro.
As primeiras remessas do imunizante fazem parte de um esquema vacinal de 1,32 milhões de doses a serem oferecidas gratuitamente para a população, segundo o Ministério da Saúde. A pasta ainda informa que 5,2 milhões de doses restantes chegarão ao Brasil em etapas até novembro, em um esforço para retardar o aumento da doença no país.
Só nas primeiras duas semanas deste ano, mais de 59 mil casos de dengue foram registrados em todo país, com seis mortes confirmadas por complicações da doença, de acordo com o Ministério da Saúde.
Para ampliar a imunização, o público-alvo foi concentrado em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Essa faixa etária abarca o maior número de hospitalizações por dengue, depois de pessoas idosas, grupo para o qual a vacina não foi liberada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Nos próximos dias, a pasta da saúde irá divulgar a lista dos municípios e a estratégia de vacinação. Segundo o ministério, as doses recebidas passarão pelo processo de liberação da Alfândega e da Anvisa, em seguida sendo enviadas para o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde.
Pioneirismo
O Brasil será o primeiro país a oferecer a imunização contra a dengue de forma gratuita, através do SUS. O Ministério da Saúde incorporou a vacina em novembro de 2023, ação bastante celebrada pela Comissão Nacional de Incorporações de Tecnologias no SUS (Conitec). O reforço do laboratório japonês chega em tempo hábil para controlar os casos e diminuir a incidência da doença, transmitida pela picada da fêmea do mosquito aedes aegypti.
Cuidados com a dengue
De acordo com o secretário executivo de Vigilância em Saúde da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará (Sesa), Antônio Silva Lima Neto (Tanta), para se proteger das arboviroses urbanas transmitidas pelo Aedes aegypti (dengue, Zika e chikungunya) os cuidados já são conhecidos. É necessário, por exemplo, estar atento aos locais que possam acumular água parada.
“O Aedes aegypti é um mosquito que vive muito próximo das pessoas. Para combater a doença, você tem que eliminar, de fato, todos os criadouros domiciliares. Especula-se que as fêmeas têm sobrevivido mais em ambientes propícios como as grandes cidades do litoral do Nordeste brasileiro. Como consequência, o aumento da sobrevivência permite que mesmo com baixas infestações ainda haja transmissão da doença”, diz.




