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Política

PF investiga se Camilo, Moraes e outros ministros foram espionados pela Abin sob Bolsonaro

Por UrbNews
Atualizado há 2 anos
Tempo de leitura: 3 mins
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Entre os alvos estariam ministros do STF e políticos como o atual ministro da Educação Camilo Santana (PT), então governador do Ceará. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Valter Campanato/Agência Brasil

A Polícia Federal investiga se a Abin (Agência Brasileira de Inteligência), durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), utilizou o software espião FirstMile e produziu relatórios sobre ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e políticos adversários do ex-presidente da República.

Entre os alvos estariam os ministros do STF Gilmar Mendes e Alexandre de Morais, e políticos como o atual ministro da Educação, Camilo Santana (PT), então governador do Ceará. As autoridades teriam sido alvos de uma estrutura paralela dentro da Abin, integrada por policiais federais e oficiais de inteligência próximos ao então diretor da agência, Alexandre Ramagem.

Hoje deputado federal, Ramagem é um dos alvos da operação Vigilância Aproximada, deflagrada pela PF nesta quinta (25) e que investiga uma “organização criminosa que se instalou na Abin com o intuito de monitorar ilegalmente autoridades públicas e outras pessoas, utilizando-se de ferramentas de geolocalização de dispositivos móveis sem a devida autorização judicial”.

A ação desta quinta-feira é um desdobramento da operação Última Milha, deflagrada em outubro de 2023 para investigar o uso do FirstMile. Nessa nova fase, o foco principal são policiais que atuavam na Abin, em especial no CIN (Centro de Inteligência Nacional), estrutura ligada ao gabinete de Ramagem na agência durante o governo Bolsonaro. Ao todo, sete policiais federais são alvos da ação e foram afastados dos cargos públicos.

Foram colocados em cargos de chefia no CIN servidores da agência e policiais federais próximos a Ramagem e à família Bolsonaro, o que fez com que ele fosse apelidado de “Abin paralela”.

Além de Ramagem, ao menos dois agentes da PF, Marcelo Araújo Bormevet e Felipe Arlotta Freitas, que atuavam no CIN, são alvos das medidas desta quinta-feira.

O ex-diretor da Abin teria sido corrompido por dois oficiais da agência que ameaçaram divulgar o uso do software espião após a Abin cogitar demiti-los em um processo administrativo interno por participação em uma fraude licitatória do Exército.

Segundo a PF, as provas coletadas na primeira fase da operação mostram que “o grupo criminoso criou uma estrutura paralela na Abin e utilizou ferramentas e serviços daquela agência de inteligência do Estado para ações ilícitas, produzindo informações para uso político e midiático, para a obtenção de proveitos pessoais e até mesmo para interferir em investigações da Polícia Federal”.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, documentos em posse da Polícia Federal indicam que funcionários da Abin lotados no CIN utilizaram o software espião FirstMile durante o governo Bolsonaro — a ferramenta invadia a rede de telefonia nacional.

O CIN tem origem em um decreto de Bolsonaro, assinado em julho de 2020, que criou novas estruturas dentro do organograma da Abin, à época chefiada por Ramagem.

A justificativa para criação do CIN foi planejar e executar “atividades de inteligência” destinadas “ao enfrentamento de ameaças à segurança e à estabilidade do Estado” e assessorar órgãos competentes sobre “atividades e políticas de segurança pública e à identificação de ameaças decorrentes de atividades criminosa”.

O centro foi desmontado na reestruturação promovida pela atual direção, já no governo Lula (PT), após a operação da PF que mirou o software espião.

Matéria de Fábio Serapião, da Folhapress

*É proibida a reprodução deste conteúdo

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