O Brasil registrou mais de 217 mil casos de dengue logo nas primeiras semanas do ano, de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, nesta terça-feira (30). Os números são cinco vezes maiores que os do mesmo período de 2023. Na época, foram registrados pouco mais de 44 mil casos.
A alta de casos acende um alerta nas organizações da saúde que tem mobilizado a população a se proteger contra o vírus deixado pela picada da fêmea do mosquito aedes aegypti. Além das contaminações, 15 pessoas morreram pela doença e mais 149 óbitos estão sob investigação.
De acordo com o Ministério da Saúde, a projeção do aumento de casos da doença se deve a fatores como a combinação entre calor excessivo e chuvas intensas (possíveis efeitos do El Niño) e ao ressurgimento recente dos sorotipos 3 e 4 do vírus da dengue no Brasil.
Para combater estes dados alarmantes, o Ministério da Saúde divulgou, no dia 20 de janeiro, que as primeiras doses da vacina contra a dengue, também chamada de Qdenga, chegaram ao Brasil. Ao todo foram 720 mil exemplares recebidos, e a expectativa é de que a imunização já comece em fevereiro.
A Qdenga é a primeira vacina gratuita contra a dengue no mundo, e será ofertada no Brasil pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde incorporou a vacina em novembro de 2023, ação bastante celebrada pela Comissão Nacional de Incorporações de Tecnologias no SUS (Conitec).
Cuidados com a dengue
De acordo com o secretário executivo de Vigilância em Saúde da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará (Sesa), Antônio Silva Lima Neto (Tanta), para se proteger das arboviroses urbanas transmitidas pelo aedes aegypti (dengue, Zika e chikungunya) os cuidados já são conhecidos. É necessário, por exemplo, estar atento aos locais que possam acumular água parada.
“O aedes aegypti é um mosquito que vive muito próximo das pessoas. Para combater a doença, você tem que eliminar, de fato, todos os criadouros domiciliares. Especula-se que as fêmeas sobrevivam mais em ambientes propícios como as grandes cidades do litoral do Nordeste brasileiro. Como consequência, o aumento da sobrevivência permite que mesmo com baixas infestações ainda haja transmissão da doença”, diz.




