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Ceará

Estudantes da UFC relatam filas longas e falta de comida nos Restaurantes Universitários

Por Paulo Roberto Maciel
Atualizado há 2 anos
Tempo de leitura: 4 mins
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O acesso aos Restaurantes foi reduzido em 50% em razão da greve dos Servidores Técnico Administrativos (TAEs) da instituição. Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Longas filas e menos comida. É o que parcela dos estudantes da Universidade Federal do Ceará (UFC) atualmente relata encontrar ao se dirigir aos Restaurantes Universitários (RUs). O acesso a essas praças foi reduzido em 50% em razão da greve dos Servidores Técnico Administrativos (TAEs) da instituição, e tem gerado complicações na rotina dos alunos.

Ana Júlia Barbosa, 19, estudante da Universidade, comenta que as filas do RU no Campus do Pici, em Fortaleza, causam desconforto nos estudantes que se expõem ao sol. “Foi muito complicado, as filas ficaram enormes, e principalmente no RU novo, onde eu frequento mais. Lá várias vezes fiquei do lado de fora, no calor, foi bem desagradável”, explica.

A aluna do curso de Engenharia de Telecomunicações conta que por pouco não conseguiu realizar uma prova por conta da demora no horário do almoço. “Eu tinha uma prova da monitoria ao meio-dia, e cheguei na fila do RU às 10h45. Passei mais de 46 minutos na fila e no sol, não consegui almoçar direito por conta da correria e ainda cheguei atrasada para a minha prova”, relata.

O Campus do Pici possui dois RUs em funcionamento, mas em ambos, além das outras unidades da UFC, apenas uma entrada atualmente está disponível para os estudantes. Assim, ainda mais atrasos na agilidade das refeições são gerados, junto do aumento da quantidade de filas do lado de fora dos restaurantes.

Estudantes também relataram a diminuição do fornecimento de insumos alimentícios para os Restaurantes. No dia 21 de março, próximo à deflagração da greve dos TAEs, houve relatos de falta de alimentos pela empresa terceirizada que atua em conjunto com a Universidade.

A terceirização dos serviços essenciais da UFC também é alvo de críticas por parte dos estudantes. Para Clarice de Fátima Oliveira, 19, que estuda Geografia na instituição, “O RU não deveria ser um serviço terceirizado, pois deixa os alunos à mercê das irresponsabilidades da empresa prestadora de serviço quando há problemas. Todas as fragilidades se tornam mais fortes e a classe mais prejudicada é a de discentes da instituição, não coincidentemente, o lado mais fraco dessa luta”, afirma.

Em relação aos últimos acontecimentos, a coordenadoria dos Restaurantes Universitários da UFC declarou, em nota, que não há previsão para a normalização das atividades, mas apesar da redução, o atendimento de todos os alunos está sendo garantido.

“Houve uma redução de 30 a 50% nos acessos (filas) de atendimento dos Refeitórios, mas estamos garantindo o atendimento de todos os usuários presentes. Ressaltamos que estamos em constante diálogo com os servidores e administração superior para buscar soluções que minimizem os impactos dessa paralisação e garantam a qualidade dos serviços oferecidos pelo RU”, diz o texto.

Assistência estudantil também prejudicada

Juntamente com a diminuição da capacidade dos RUs, os estudantes da UFC também foram recebidos de surpresa com o anúncio da suspensão do programa que oferece auxílio para alunos. As bolsas são ofertadas pela Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (PRAE), que informou o não cumprimento do cronograma original do Processo Seletivo Unificado (PSU) de assistências.

“Tão logo as equipes confirmem a previsão de finalização, um novo calendário será divulgado, independente do status da greve. É importante ressaltar que não houve suspensão dos benefícios concedidos pela Pró-Reitoria, apenas um adiamento temporário do cronograma do PSU. Portanto, os estudantes que já recebem auxílios da PRAE terão seus benefícios mantidos”, cita a nota da Universidade.

Segundo comunicado expresso pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), as equipes da PRAE estão funcionando com 30% da capacidade, também por conta da greve dos servidores, mas que a prorrogação do processo seletivo das bolsas de assistência já estava planejado para ser prorrogado devido ao número de inscrições.

“É importante ressaltar que muitas equipes estão funcionando com 100% dos servidores para fazer a análise do processo seletivo, mas o ponto é que ainda é um número insuficiente de profissionais para a demanda que a PRAE tem, e isso é um reflexo do baixo orçamento que recebemos na nossa universidade”, explica o DCE.

O PSU seleciona, semestralmente, estudantes para receber auxílio creche, auxílio moradia, bolsa de iniciação acadêmica e isenção da taxa do Restaurante Universitário.

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