A bancada feminina do Senado Federal protocolou um requerimento para propor “voto de repúdio” contra o ex-governador do Ceará e ex-candidato à presidência da República, Ciro Gomes (PDT), nesta segunda-feira (8).
O pedetista, em entrevista ao portal A Notícia do Ceará, se referiu a senadora Janaína Farias (PT-CE) como “assessora para assuntos de cama”. Ciro Gomes, ainda na ocasião, fez questionamentos sobre a relevância política de Janaína. A senadora assumiu a vaga por ser segunda suplente do ministro da Educação, Camilo Santana. A primeira suplente, Augusta Brito (PT), está de licença.
Ciro comparou Camilo ao imperador romano Calígula, que teria nomeado um cavalo como senador em Roma. “Esse cara [Calígula] estava tão poderoso que para humilhar o Senado nomeou o próprio cavalo. Mal comparando […] eu pergunto, com todo respeito: qual é a obra, a realização, o preparo, que Janaína tem para ser senadora da República?”, questionou.
“Ela só fez serviço particular do Camilo, e serviço particular, assim, é o harém, são os eunucos, são as meninas do entorno. Ela sempre foi encarregada desse serviço”, afirmou.
Em resposta, Janaína fez críticas a Ciro e disse que acionará a Justiça.
“É lamentável que esse tipo de agressão a uma mulher ainda persista na política cearense. Mas a baixaria e a covardia parecem ser uma característica na trajetória desse político. A discriminação, o preconceito e a propagação do ódio contra mulheres é algo detestável. Infelizmente, todos sabem que misoginia é uma característica deste senhor e que deve ser motivo de repúdio por toda a sociedade”, disse.
O documento foi assinado por todas as 15 senadoras da bancada. A expectativa das parlamentares é que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), coloque o pedido em votação ainda nesta terça-feira (9).
Senadoras de diferentes correntes políticas se uniram nas assinaturas do requerimento. Por exemplo, as oposicionistas Damares Alves (Republicanos) e Tereza Cristina (PP) solicitaram a nota de repúdio.
Na solicitação, as parlamentares afirmam que as falas de Ciro Gomes constituíram “uma clara manifestação de violência política de gênero”.
“Esses ataques são repugnantes e absolutamente inaceitáveis, refletindo uma postura pessoal da desvalorização das mulheres e uma resistência preocupante à participação feminina em espaços de poder e decisão”, concluiu a solicitação.




