Neste domingo (14), o mundo se une em celebração ao café, uma das bebidas mais amadas e apreciadas globalmente. O Dia Mundial do Café surgiu em 2005 por iniciativa da Associação Internacional de Cafés Especiais (SCAA) como uma maneira de celebrar e promover a cultura do café globalmente. A data foi estabelecida para reconhecer a significância econômica, social e cultural da bebida, além de prestar homenagem aos milhões de agricultores e trabalhadores envolvidos na produção.
O Brasil ocupa o segundo lugar no ranking dos maiores consumidores de café do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, que lideram essa lista com uma diferença de 5,2 milhões de sacas. Entretanto, quando se considera o consumo per capita, os brasileiros consomem mais, com uma média de 5,12 kg por habitante ao ano.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), houve um aumento de 1,64% no volume de café entre novembro de 2022 e outubro de 2023, em comparação com o período anterior de novembro de 2021 a outubro de 2022. Uma das razões para o aumento foi a redução dos valores nos mercados no ano anterior, registrando uma queda de 13,5%.
Antonello Monardo, torrefador de café gourmet e especiais, ganhador da medalha de ouro do International Coffee Tasting 2008 e diretor na Monardo Café Gourmet, explica que no Brasil, o café é mais do que apenas uma bebida; é uma parte integrante da vida cotidiana e da identidade nacional. “As cafeterias desempenham um papel multifacetado na cultura brasileira, não apenas como locais para desfrutar de uma xícara de café, mas também como espaços sociais e culturais que refletem a riqueza e a diversidade do país”, aponta o profissional.
O torrefador esclarece que o hábito de consumo de café no Brasil é bastante singular em comparação com outras partes do mundo, refletindo a rica cultura do país em torno desta bebida tão amada e algumas distinções notáveis são a intensidade do consumo, o preparo e as preferências, a cultura social e a diversidade regional. “Enquanto em algumas culturas o café pode ser mais uma bebida para ser apreciada rapidamente, no Brasil ele muitas vezes é saboreado com calma, apreciando tanto a bebida quanto a companhia”, conclui Antonello.
Kátia Patrocínio, jornalista e amante de café, comenta que hoje observa uma variedade imensa de cafés e fica fascinada com a diversidade nas prateleiras dos supermercados e nas cafeterias. “Eu diria que a gente está vivendo um momento muito bom nessa questão do café. Procuro experimentar aquilo que é diferente sempre que possível e, quando eu aprovo, acaba fazendo parte do meu cotidiano e começo comprar para fazer na minha casa, mas eu sou uma adepta do café tradicional”, relata Kátia.
Indústria do café
De acordo com a ABIC, em relação ao faturamento, as vendas da indústria do café alcançaram R$ 22,9 bilhões em comparação com R$ 23,54 bilhões no ano anterior. Quanto às exportações, o país enviou ao exterior 39,2 milhões de sacas de café em 2023, uma quantidade praticamente igual a 2022. No entanto, devido à diferença cambial, a receita caiu 13%, totalizando US$ 8,041 bilhões.
Antonello esclarece que, no mercado interno, o crescente interesse em cafés especiais está impulsionando a abertura de novas cafeterias e lojas especializadas, que oferecem uma ampla variedade de cafés de origem única, métodos de preparo alternativos e experiências sensoriais únicas. Isso está mudando a paisagem do consumo de café no Brasil, tornando-o mais diversificado e sofisticado.
“O futuro do mercado de café no Brasil parece estar indo na direção de uma maior valorização da qualidade e da diferenciação, com os consumidores cada vez mais dispostos a explorar novos sabores e experiências. Isso abre oportunidades emocionantes para os produtores, torrefadores, comerciantes e consumidores, e promete continuar impulsionando o crescimento e a inovação no setor de café brasileiro”, finaliza o torrefador.

