A Universidade Estadual do Ceará (Uece) anunciou, neste domingo (21), a criação do primeiro curso de Licenciatura Intercultural Específica Tabajara (Linta). Segundo a instituição, a proposta da formação visa estabelecer um “ambiente educacional adequado e transformador” para os povos originários, especialmente os Tabajara.
O projeto pedagógico do curso tem como principal objetivo capacitar educadores indígenas. O reitor da Uece, professor Hidelbrando Soares, disse que esse momento é um “marco histórico para o viés de inclusão e diversidade dentro da instituição”.
“Aproximar-nos dos povos originários é uma ação de respeito àqueles que nos antecederam e que têm uma longa história de educação de suas crianças e de seus jovens. A Universidade chega com uma expertise institucional que, agregada ao trabalho formativo já realizado pela etnia, propiciará formação graduada de qualidade e socialmente referenciada aos futuros professores indígenas”, celebrou Soares.
A líder indígena Tabajara, Eleniza Tabajara, afirmou que almejava essa licenciatura indígena especifica há um tempo. “Ela é de fundamental importância para o nosso povo e vai ajudar a divulgar a nossa etnia em relação aos povos indígenas da região dos Inhamuns”.
A organização curricular do curso foi baseada nas experiências do Magistério Indígena Superior do Ceará e irá contemplar dois tipos de atividades, com base nas especificações fornecidas pelos indígenas: tempo-universidade e tempo-comunidade. As primeiras são atividades curriculares realizadas na instituição. Já as segundas contemplam a interação dos estudantes com a comunidade a partir da orientação docente.
O curso de licenciatura será implantado nos municípios de Quiterianópolis e Tauá, onde irão atender as aldeias Fidelis, Croatá, Bom Jesus e Vila Nova. No total, serão 40 vagas ofertadas, e o curso tem previsão de início no segundo semestre de 2024.



