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Microsoft e empresa brasileira se unem para restaurar 16 mil hectares de Mata Atlântica

A re.green, empresa brasileira, firmou parceria com a Microsoft para a entrega de cerca de 3 milhões de toneladas de créditos de carbono
A re.green, empresa brasileira, firmou parceria com a Microsoft para a entrega de cerca de 3 milhões de toneladas de créditos de carbono. Foto: Tomaz Silva/ Agencia Brasil

 A re.green, empresa brasileira que tem Arminio Fraga e João Moreira Salles entre os acionistas, firmou parceria com a Microsoft para a entrega de cerca de 3 milhões de toneladas de créditos de carbono a partir da restauração de áreas da Mata Atlântica brasileira.

Segundo a companhia, serão 16 mil hectares de vegetação restaurada com espécies nativas do bioma, ao longo de 15 anos. O valor investido pela Microsoft na transação não foi divulgado.

Metade das terras necessárias para a empreitada já foi adquirida pela re.green, no sul da Bahia e no Maranhão, perto da fronteira com o Pará. Nelas, as atividades de restauração já começaram.

Lançada em 2022, a “climate tech” -empresa de tecnologia que busca soluções para as mudanças climáticas- juntou um investimento de R$ 385 milhões, mirando entregar 1 milhão de hectares restaurados nos próximos 20 anos. Sozinha, a meta da re.green cumpriria cerca de 10% do objetivo oficial do Brasil, que almeja reflorestar 12 milhões de hectares até 2030.

Os créditos de carbono são uma representação monetária da redução de CO2 da atmosfera. A certificação permite que o comprador compense os gases de efeito estufa que emitiu ao longo de um período.

A re.green está atrás de compradores dos chamados créditos de carbono de “alta qualidade”. Nos últimos anos, o setor passou por turbulências com problemas na credibilidade do mercado de carbono: baixa diversidade de espécies empregadas na recuperação e aumento do desmatamento em regiões de reflorestamento são exemplos.

“Nossa empresa se posiciona para aderir às demandas de um mercado que requer padrões de qualidade rigorosos. Consideramos o programa de redução de carbono da Microsoft como um ‘benchmark’ global para a remoção de carbono de alta integridade e avanço científico”, diz Thiago Picolo, CEO da re.green.

Para Picolo, a colaboração serve de evidência do potencial brasileiro neste mercado. A partir do uso de inteligência artificial e algoritmos, a empresa procura reflorestar áreas que terão maior impacto no meio ambiente. A Mata Atlântica foi escolhida por ser o bioma mais desmatado do país e pelo impacto que sua restauração pode gerar.

Segundo Bernardo Strassburg, ex-diretor do ISS (Instituto Internacional para Sustentabilidade) e um dos fundadores da re.green, em nenhum outro bioma no planeta, um hectare de terra restaurada previne a extinção de mais espécies do que na Mata Atlântica.

O uso de tecnologia e pesquisa, aliado a práticas de governança e transparência, pretende chamar clientes de grande envergadura, a exemplo da Microsoft, e se distanciar dos temores que rondam o mercado de créditos de carbono hoje em dia.

“Planejando o espaço de forma otimizada, você aumenta oito vezes o custo benefício: salva muito mais espécies da extinção e sequestra muito mais carbono”, afirma Strassburg.

Segundo o especialista e fundador da empresa, as negociações com a Microsoft começaram antes do lançamento da re.green.

Em 2021, Strassburg -que já desenvolvia o projeto com Salles, Fraga, e outros investidores- contatou Lucas Joppa, na época Chief Enviromental Officer da Microsoft, com quem já escreveu artigos. Os caminhos se alinharam uma vez que a empresa de tecnologia norte-americana traçou uma meta ambiciosa: mitigar as emissões de carbono desde a fundação da Microsoft, usando créditos de carbono de alta integridade.

A re.green nasceu com a vocação de atender a fatia premium do mercado de carbono. “O que a gente faz é caro”, disse. “Eles foram os primeiros clientes para quem escrevi.”

Os 3 milhões de créditos de carbono equivalem a 4 milhões e meio de toneladas de dióxido de carbono sequestradas. Em termos da vida prática, Strassburg explica que a redução dessa quantidade tem impacto semelhante a retirar um milhão de carros das ruas anualmente.

Segundo ele, as exigências da Microsoft são maiores que as da principal certificadora de créditos de carbono globalmente, a CCB (Climate, Community & Biodiversity Alliance).

A restauração padrão cinco estrelas recupera a biodiversidade, a estrutura da floresta, e os processos que fazem de uma floresta mais do que uma coleção de árvores, diz o pesquisador.

Nas primeiras conversas com a Microsoft, a multinacional desejava investir em iniciativas na Floresta Amazônica. No entanto, Strassburg diz ter argumentado com base em sua pesquisa, que demonstra maior urgência ambiental na Mata Atlântica, o que acabou convencendo a big tech. Uma parte das iniciativas da re.green, no entanto, será na Amazônia.

A re.green mira no exterior. Por enquanto, a ideia é exportar o potencial do mercado de carbono brasileiro. “Temos a perspectiva de continuar atuando no mercado voluntário internacional e, eventualmente, no mercado regulado”. Na Europa, por exemplo, os preços da tonelada de carbono são muito mais altos.

Por Luana Franzão, Folhapress

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