Em uma última tentativa de negociação com os professores das Instituições Federais brasileiras, o Governo Federal propôs o aumento de 13% a 31% na folha de pagamento até 2026, porém, sem reajuste para 2024. A decisão fez parte da última mesa específica temporária entre o Ministério de Inovação e Gestão em Serviços Públicos (MGI) e o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes).
Em greve há um mês, os professores federais cobram por melhorias na folha salarial que não vê mudanças desde 2007. A proposta do governo, divulgada nesta quarta-feira (15), cobre a maioria das reivindicações da categoria, que também pede melhor transparência sobre o plano de carreira, mas não atende a proposta do sindicato de reajustes já com início para este ano.
Também nesta quarta, representantes do Andes e de sindicatos regionais dos professores realizaram uma mobilização em Brasília para pressionar o MGI e o Ministério da Educação (MEC) a formularem uma proposta mais justa para os docentes.
“É importante dizer que nesse processo ainda não fomos recebidos pelo ministro da educação, Camilo Santana. As próximas datas serão oportunas para o governo nos atender e, de fato, negociar”, reforça Jeniffer Webb, diretora do Andes-SN.
Webb ainda pontua que outras reivindicações não puderam ser debatidas na reunião desta quarta, por não ser o “ambiente” para a discussão. De acordo com o governo, alguns itens deveriam ser tratados na mesa Central ou na mesa do MEC, reforçando a pulverização dos itens da pauta apresentada pelos e pelas docentes, ressalta.
Com o reajuste linear de 9% concedido ao funcionalismo federal em 2023, o aumento total, informou o MGI, ficará entre 23% e 43% no acumulado de quatro anos. A pasta ressaltou que o governo melhorou a oferta em todos os cenários e que os professores terão aumento acima da inflação estimada em 15% entre 2023 e 2026.
A proposta anterior previa reajuste zero em 2024, 9% em 2025 e 3,5%, em 2026. Somado ao reajuste linear de 9% concedido ao funcionalismo federal no ano passado, o aumento total chegaria a 21,5% no acumulado de quatro anos.
Com a proposta em mãos, o Andes fará uma série de assembleias com as instituições em greve para decidir se o ofício federal será acatado ou não. No Ceará, o Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Estado do Ceará (ADUFC) irá se reunir na tarde desta quinta-feira (16) nos jardins da reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC), no bairro Benfica, para discutir os rumos da greve e decidir sobre a continuidade das paralisações.



