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Carla Di Bonito: diretora conversa com a UrbNews sobre seus novos projetos e sua paixão pela arte

Por Paulo Roberto Maciel
Atualizado há 2 anos
Tempo de leitura: 5 mins
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Nascida no Ceará, mas com o coração recheado pela cultura mundial, a diretora de cinema Carla Di Bonito respira a arte na sua mais pura forma (Foto: Reprodução)

Nascida no Ceará, mas com o coração recheado pela cultura mundial, a diretora de cinema Carla Di Bonito respira a arte na sua mais pura forma. Ela atualmente reside em Londres, na Inglaterra, e ganhou reconhecimento internacional com o seu curta-metragem “Luzinete”, inspirado na história da sua falecida irmã.

Agora, Carla busca novas experiências e está produzindo seu primeiro longa-metragem, “Nossos Caminhos”. O filme conta com um elenco feminino de peso, que inclui as atrizes Marcélia Cartaxo (A Hora da Estrela) e Hermila Guedes (O Céu de Suely), e continua a história do curta original para uma maior audiência.

Em entrevista exclusiva à UrbNews, a diretora aborda a sua paixão pela arte, a trajetória da sua vida e relação com sua irmã que inspirou os seus maiores projetos.

Entrevista

Carla e a diretora de fotografia Martina Errica durante a produção do curta “Luzinete” (Foto: Arquivo Pessoal)

UrbNews: Como foi trilhar o caminho até chegar na produção do curta-metragem?

Carla di Bonito: Eu saí do Brasil quando tinha 19 anos, em 1985 e graças a Deus eu já falava cinco línguas. Eu primeiramente fui para Roma, na Itália, e lá estudei jornalismo. Depois fui embora para Suíça, voltei ao Brasil, e embarquei de novo para a Europa rumo à Alemanha, na busca por explorar melhor os idiomas que eu tinha aprendido. Quando vim em definitivo para Londres, trabalhei na BBC, no “Newsnight” e no “Breakfast News”, dois famosos noticiários da casa. Depois, passei quatro anos na redação da BBC Brasil.”

Depois de longos 10 anos, decidi que queria voltar à Universidade, fazer um curso novo, e foi então que veio o cinema. E como o caminho que eu trilhei foi o de roteiro, produção e direção, eu escrevi e dirigi esse curta, que virou Luzinete.

UN: A história do curta foi inspirada na trajetória da sua irmã que faleceu devido a uma overdose. Por ser uma narrativa bastante verdadeira, qual você diria que foi o fator diferencial para o sucesso dessa produção?

Di Bonito: Até o presente momento, “Luzinete” já possui 126 prêmios em vários festivais internacionais e eu acho que o diferencial dessa história é que eu consegui mostrar, pelo menos é o que a crítica diz, e eu também acredito, o lado real dela. Eu não enfeitei, eu deixei ela crua, e por ela ser assim ela tem a beleza dela. Não é uma história apenas sobre drogas, é uma história de família, e eu acredito que seja uma narrativa que todo mundo possa se relacionar, principalmente por ser um tema que, infelizmente, permanece presente no nosso cotidiano.

UN: É bastante impactante como a maneira de desenvolver a arte afeta a vida dos que estão à nossa volta. Como você entende esse processo?

Di Bonito: Com toda certeza. Isso é uma coisa que eu sempre tive certeza, que a arte realmente cura. E tudo o que eu faço tem algo de espiritual, também. Como por exemplo, essa semana eu escutei uma música que me tocou profundamente. O nome dela é “Te Desejo Vida”, da Flávia Wenceslau. E eu já tinha escutado essa canção, mas quando eu realmente a ouvi e prestei atenção na letra, eu soube que essa tinha que ser a música tema do meu filme.

Eu acabei por ouvir a música várias vezes e corri para o roteiro, porque eu não estava muito feliz com a cena final. Então eu percebi que precisava mudar essa parte da história e essa música iria me ajudar. E no fim, consegui terminar do jeito que eu queria. Então, no fim das contas, tudo está conectado, e essa é uma das coisas mais lindas do processo criativo.

UN: Como você enxerga a sua vida, suas experiências pessoais, dentro da sua arte?

Di Bonito: Eu uso a minha arte como cura. A arte, como a música e o cinema, cura, pois ela passa adiante uma mensagem inspiradora para as pessoas que consomem essas produções, para que elas possam tornar esse mundo um lugar melhor. E com “Luzinete” eu entendi que a minha irmã, pelo menos para evoluir espiritualmente do lugar onde ela estava, ela precisava dessa sensação que o meu filme conseguiu trazer: reconhecimento.

Minha irmã nunca conheceu o pai, ela sempre foi deixada para trás, mas são coisas da vida e isso não vem com nenhum julgamento. Tudo o que Luzinete mais queria era uma família e principalmente esse reconhecimento, que nunca veio. Então fazer esse filme, falar sobre essa história para as pessoas, é o real propósito desta obra e eu fiquei muito feliz por proporcionar isso a ela. Agora eu sei que ela está bem.

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