PUBLIEDITORIAL | “Se tivesse um anestesista, 99% de chance dele não ter morrido”. É o que avalia o Dr. Júlio Rocha, diretor presidente da Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas do Ceará (Coopanest-CE), sobre o caso do paciente que faleceu no dia 03/06 em decorrência de um peeling de fenol em clínica estética de São Paulo (SP).
Trata-se de um procedimento dermatológico que deve idealmente ser feito em um centro cirúrgico monitorado. “O anestesista é preparado para agir nessas situações limítrofes”, Rocha explica. Como no caso citado, é sempre possível que um procedimento que envolva sedação evolua para uma situação desfavorável, e é aí que entra o trabalho dos anestesistas.
O presidente da Coopanest-CE explica que todo profissional de saúde deve, ao fazer um procedimento que exige sedação, seguir normas como a Portaria nº 529/2013, do Ministério da Saúde, que institui o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP).
“Se um médico for fazer uma sedação, precisa seguir essas normas. Monitor adequado de pressão, oximetria, desfibrilador, ponto de oxigênio, material de ressuscitação, local pós-procedimento… isso para qualquer tipo de opioide ou anestésico. Mas a gente sabe que muitas outras profissões estão usando essas medicações dentro de consultórios”, explica.
No Brasil, cenas assim estão se tornando cada vez mais frequentes, para preocupação dos profissionais da anestesiologia. No Ceará, o médico cita que é corriqueira a realização de endoscopia, que demanda sedação completa, por profissionais pouco qualificados, especialmente em clínicas populares e de interior.
Apelo à odontologia
Com relação à odontologia, o presidente da Coopanest-CE alerta que está sendo observada uma frequência bastante elevada do uso de máscaras de sedação com óxido nitroso, cuja concentração não pode passar de 70%. “Esse gás é feito largamente em vários consultórios de dentista. E o que a gente sabe que também algumas medicações venosas são feitas”, relata.
Para tratar dessa questão, corre na Justiça uma Ação Civil Pública de iniciativa da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) que pede para que os profissionais de odontologia sigam as regras de segurança já estabelecidas pelas autoridades médicas brasileiras para uso de sedativos e opioides.
Em fevereiro deste ano, uma decisão concedeu parte do pedido em caráter liminar, orientando os dentistas a seguirem as normas do Conselho Federal de Medicina (CFM) para procedimentos médicos com o uso de opioides ou fármacos de uso controlado.
“Então a gente cria um alerta para a população de que se for se submeter a qualquer tipo de sedação ou de procedimento, que busque um anestesista porque é ele o profissional preparado para tomar essa conduta. Inclusive para contraindicar o uso, se for o caso”, completa o médico. “É o que diz a nossa campanha atual, ‘Sedação segura é com anestesista’, fora disso é aventura”.
