Ao cair da noite no bairro Curió, em Fortaleza, a Rua Isabel Ferreira se enche com o ritmo da música urbana e da diversão noturna. Centenas de pessoas se reuniram na Pista de Skate próxima à Praça da Lagoa Redonda, na última quinta-feira (13), para acompanhar a ‘Batalha do Curió”, que promove o hip hop freestyle em sua confraternização.
Cerca de 16 duelistas se enfrentaram em um palco montado no centro da praça. Suas armas eram as rimas, declamadas como cartas jogadas em um baralho. O espetáculo era a música e suas notas eram guiadas pelos corações e pela vivência dos que vivem pela arte.
Um desses cavaleiros do hip hop era MC Exodia, que começou a rimar por influência do seu irmão, mas que agora busca aperfeiçoar ainda mais essa arte.
“Antes das batalhas, meu lance com a música era junto de uma banda, onde eu tocava guitarra, violão e contrabaixo. Mas quando vi meu irmão rimando, veio aquele sentimento de desafio e decidi aprender. Hoje, rimar fez me aproximar ainda mais dele, e por pegar o gosto por essa prática, quero fazer disso o meu rumo profissional”, conta.
A Batalha do Curió é válida pela seletiva estadual do Duelo de MCs. Aquele que é selecionado no seu estado pode concorrer a uma vaga no campeonato nacional, que esse ano acontece em Belo Horizonte, nos dias 16 e 17 de novembro.
“É muito gratificante trazer o estadual para o Curió pelo segundo ano consecutivo”, relata Bruno Alves, que fez parte da organização do evento. “O intuito dessa competição é fortalecer o sonho dos MCs. Eles passam o dia batalhando nos ônibus, nas ruas, então vir para cá mostrar esse trabalho é uma grande oportunidade. Queremos fortalecer a cultura do bairro e trazer essa alegria para a população”, afirma.
O ambiente das batalhas é um que também se tornou bastante diversificado nos últimos anos. Além dos entusiastas do hip hop, crianças, pais de família e comerciantes se juntaram para presenciar a música viva dos MCs. Essa mistura de culturas e pontos de vista é algo que também está representado em quem atua diretamente com as rimas.
“A Batalha do Curió é a primeira do cenário estadual que é liderada por uma mulher trans e hoje tivemos um competidor LGBTQUIAPN+ capaz de mostrar a sua arte aqui. Isso é muito importante, é representatividade, é a união desses jovens, porque eu acredito que a arte não só salva, ela também recupera”, retrata Tina, a única mulher a fazer parte do comando estadual do Duelo de MCs.
Como funciona a batalha?
O duelo estadual, como a Batalha do Curió, segue regras parecidas com as do duelo nacional. Exceto em ocasiões especiais, toda quinta-feira são recolhidos os nomes dos que desejam participar da competição, cujo os 16 candidatos serão eleitos por sorteio.
- “Minas e monas” (mulheres e população LGBTQIAPN+) têm vagas garantidas.
- No total, por dia, são dezesseis participantes duelando entre sim, em formato de mata-mata.
- Os vencedores de cada duelo vão se classificando até restar dois MCs, que fazem a final do dia.
- O campeão leva uma premiação, decidida a cada edição.
- O júri do duelo, na maioria das vezes, é o público que está assistindo.
- O MC que receber mais saudações, vence. Porém, em algumas edições, esse júri é formado por artistas do rap.
- No final de cada quinta-feira, o ranking é atualizado.
Para mais informações sobre as datas das seletivas estaduais e próximas competições, basta acessar os perfis no Instagram @estadual.ce, @batalhadocurio e @duelonacional



