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Ceará

Tratamento para clarear pelos pode ser fator de risco para início de câncer, indica pesquisa

Por Paulo Roberto Maciel
Atualizado há 2 anos
Tempo de leitura: 3 mins
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Atualmente, o banho de lua conta com autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) (Foto: Reprodução/Agência UFC)

Uma pesquisa realizada pelo programa Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas da Universidade Federal do Ceará (UFC) constatou que o tratamento realizado para clareamento dos pelos, conhecido como banho de lua, pode ser um fator de risco para desenvolvimento de câncer.

A indicação se deve a uma solução utilizada no procedimento estético: peróxido de hidrogênio (água oxigenada) e amônia. Os dois elementos podem ser prejudiciais para a produção de células sanguíneas, o que pode levar a casos de câncer de câncer de medula (leucemia) e de síndrome mielodisplásica (SMD).

“Sem dúvida nenhuma, temos um alerta para a comunidade científica. São indícios fortes de que o banho de lua pode induzir alterações no DNA e na medula óssea, o que pode levar a uma leucemia aguda”, aponta Feitosa.

De acordo com os pesquisadores Letícia Rodrigues e Prof. Ronald Feitosa, o resultado, contudo, não indica que todos os que realizaram o procedimento irão desenvolver a doença.

Atualmente, o banho de lua conta com autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). A pesquisa, contudo, não avaliou a frequência permitida nem a dose segura. 

“Recomendamos o uso [das substâncias] o mínimo possível. Como a gente trabalha com prevenção, indicamos que, de preferência, é melhor nem usar o banho de lua ou outros procedimentos que utilizem essas substâncias químicas, como a tintura”, diz Letícia.

A suspeita dos pesquisadores é que, em contato com o corpo humano, essas substâncias químicas provoquem dano. “A água oxigenada, por exemplo, é o peróxido de hidrogênio misturado com água. Esse composto é uma espécie reativa de oxigênio”, explica Letícia Rodrigues. “Quando ele está no nosso corpo, ele pode liberar radicais livres que vão interagir com nosso DNA, causando possivelmente danos oxidativos e lesões”, completa.

História por trás da pesquisa

De acordo com a UFC, a pesquisa teve início em 2019, quando o Prof. Ronald Feitosa recebeu o caso de uma paciente com SMD hipoplástica, quando a medula não consegue produzir mais células sanguíneas. Infelizmente, a mulher veio a falecer pouco tempo depois, deixando um filho de seis meses.

O pesquisador descobriu que a paciente realizava semanalmente o banho de lua, em períodos superiores a quatro horas. A dúvida que restou era se os dois fatos estavam conectados. Com isso, Feitosa e a doutoranda Rodrigues realizaram o experimento em camundongos e descobriram o resultado positivo para a suspeita.

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