Hoje, 27 de agosto, é celebrado o Dia do Psicólogo. A psicologia chegou ao Brasil ainda no início do século XX, mas foi regulamentada como profissão apenas em 27 de agosto de 1962, pelo presidente João Goulart. Segundo dados do Conselho Federal de Psicologia (CFP), atualmente, são mais de 530 mil psicólogas e psicólogos em todo o território nacional.
Esse número é relativamente maior se comparado ao mesmo período do ano passado, quando o Brasil tinha 439 mil psicólogos, um número insuficiente quando distribuído para a população total do país. Segundo um levantamento feito pela Folha, em 2023, nove em cada dez municípios brasileiros têm menos de um psicólogo e psicanalista no SUS a cada mil habitantes.
Apesar de um mercado um pouco desregulado em questão de distribuição e oportunidades, a procura por cursos de psicologia nas faculdades teve um crescimento considerável no Brasil. Entre 2010 e 2021, as matrículas nessa área mais do que dobraram, um salto de 136,4 mil para 289,8 mil, o que representa um crescimento de 112,4%.
A estudante de Psicologia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Evellyn Gisely de Castro, 21 anos, compartilha que percebe as dificuldades da profissão que seguirá em breve, mas também acredita nas oportunidades que a área tem para oferecer.
“É um mercado que tem muitas potências e muitas dificuldades também. Tem as problemáticas que envolvem questões financeiras, como não termos piso salarial e a sugestão de valores para sessão de psicoterapia indicada pelo Conselho ser incompatível com a realidade de boa parte da realidade financeira dos brasileiros e, por consequência, quase impossível de ser realmente cobrado esse valor”, compartilha a estudante.
Ela conta que há também as problemáticas com os terapeutas sem formação adequada e os coachs que ocupam espaço e visibilidade no cuidado com a saúde mental sem ter real capacitação para. “Além da persistência das lógicas manicomiais e medicalizadas do cuidado em saúde mental. Apesar disso, o mercado vem crescendo bastante e aos poucos a psicologia começa a ser mais bem vista na sociedade geral”, complementa.
Evellyn relembra que sempre gostou de ouvir e cuidar das pessoas, mas não achava que esse ato pudesse ser sua profissão. A estudante acredita que cuidar e estudar sobre o outro, o que o atravessa, como se comporta, foi o que a fez ter essa escolha. Ela também vê o futuro da profissão com bons ânimos. “Eu acho que a profissão está cada vez mais estruturada e diversa, então tenho ótimas expectativas de que seja mais valorizada e acesse mais lugares”, conclui.
A psicóloga Drieli Venâncio, conselheira do CRP-11- Conselho Regional de Psicologia do Ceará, acredita que para analisar o futuro da profissão é necessário, primeiramente, ressaltar que a psicologia no Brasil tem uma história relativamente recente, com os primeiros cursos de graduação surgindo na década de 1960. Naquela época, segundo ela, a profissão estava muito ligada à educação e à clínica, com o foco voltado quase exclusivamente para o indivíduo.
“A psicologia antes era vista principalmente como um serviço de consultório e as abordagens eram bastante centradas no tratamento de transtornos mentais, geralmente em um contexto privado. Com o passar dos anos, a profissão foi se expandindo, se intensificando de maneira significativa. Hoje, nós psicólogos e psicólogas não atuamos apenas em clínicas, mas também em escolas, hospitais, empresas, comunidades, políticas públicas e diversas outras áreas”, ressalta a conselheira.
Drieli explica ainda que o profissional de psicologia hoje é um agente de transformação social, comprometido com a promoção do bem-estar e dos direitos humanos. O futuro da profissão, ao seu ver, caminha para uma atuação ainda mais integrada com outras áreas de conhecimento e mais presente nas políticas públicas.
“Eu vejo um cenário onde a psicóloga será cada vez mais requisitada para trabalhar em equipes multidisciplinares, atuando tanto na prevenção quanto na promoção da saúde mental e na construção de uma sociedade mais justa, mais equilibrada. A tecnologia também vai ter um papel crucial para a gente. Vai trazer novas possibilidades, vai trazer também novos desafios, desafios éticos, esses que precisaremos pensar como é que vamos enfrentar” compatilha.




