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Círio de Nazaré

Cearense compartilha cura de câncer de mama alcançada após Círio de Nazaré

Por Bergson Araujo
Atualizado há 2 anos
Tempo de leitura: 4 mins
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Mesmo após o diagnóstico, Karla conta que permaneceu fiel e firme a sua esperança e crença (Foto: arquivo pessoal)

Até onde vai o amor de uma mãe? Em alguns casos, ultrapassa todos os limites dos sentimentos e é capaz de curar. E sobre limites, quais são os da fé? Se existirem, com certeza, eles não são mensurados em metros ou quilômetros.

A cearense Karla Waldek, de 47 anos, é a prova de tudo isso: o amor de mãe que cura, e que não há distância quando se tem fé.

A história de Karla, que é assistente social, não se resume a um testemunho de cura, mas pode ser contada como uma experiência de amor e gratidão, que envolve o Círio de Nossa Senhora de Nazaré.

Seu contato com a maior procissão cristã do mundo começou pelo que ouvia falar. Já havia viajado a Belém do Pará algumas vezes, mas ainda não tinha experienciado o Círio em si, no segundo domingo de outubro.

Karla Waldek em uma das primeiras viagens a Belém do Pará. Foto: arquivo pessoal

Pelos motivos inexplicáveis da vida, sua viagem para conhecer a procissão mariana foi antecipada. Em 2013, Karla é surpreendida com o seu diagnóstico de câncer.

“Em 2013, senti um nódulo na mama esquerda. Imediatamente, fui ao médico, começamos os exames, e um mês e uma semana depois, eu já estava começando a quimioterapia”, narra Karla.

Mesmo após o diagnóstico, Karla conta que permaneceu fiel e firme à sua esperança e crença. “Nunca perdi a fé e nem deixei me abater, pois Nossa Senhora sempre esteve comigo e eu tinha a certeza que ficaria curada”. 

Foi quando em 2014, ela resolveu que conheceria o Círio. Não apenas como uma turista que ouvia falar sobre a celebração, mas como uma fiel que almejava pedir por sua saúde. Os 1.510,5 km entre Belém e Fortaleza tinham agora um novo significado.

“Eu estava me preparando para uma segunda cirurgia. Ainda estava de cabelo curtinho. Deixei na basílica a réplica das mamas em cera, que comprei lá mesmo, e pedi pela minha saúde, pela cirurgia”, conta a assistente social sobre a viagem.


Catedral Metropolitana de Belém Nossa Senhora da Graça. Foto: arquivo pessoal

A réplica a qual ela se refere faz parte do rito do evento e é um dos principais símbolos do Círio. Os ex-votos ou objetos de promessas são elementos levados pelos devotos como sinal do agradecimento pelas graças ou pedido de intercessão de Nossa Senhora.

Segundo a organização do evento, os itens mais comuns são os feitos em cera, como velas normais, de metrô e partes do corpo. Além deles, há tijolos, miniaturas de barcos e casas, réplicas da berlinda e de imagens de Nossa Senhora de Nazaré.

“Lá eu pedi muito a Nossa Senhora pela cura e saúde, e hoje estou curada e cheia de saúde, para honra e glória de Nosso Senhor Jesus Cristo e  Nossa Senhora”, compartilha a cearense.

Os caminhos de um milagre

Ao todo, foram 16 quimioterapias e 28 radioterapias. Além disso, Karla conta que precisou retirar suas duas mamas. “Eu estava no auge da minha forma física. Foi avassalador”, compartilha a assistente social.

Foram 10 anos tomando remédio e sentindo os seus muitos efeitos colaterais. “Mas eu nem lembrava dos efeitos”, diz Karla. E em abril de 2024 ela recebeu a tão sonhada alta dos remédios e do tratamento. 

“Toquei o sino e foi um momento de grande emoção e gratidão a Deus, por ter me guiado até aqui […] Estou muito bem, com as bênçãos do Senhor e de Nossa Senhora de Nazaré, a quem os paraenses chamam com carinho de Nazinha”, conta a cearense em gratidão.

Karla ainda não conseguiu as passagens deste ano, mas não desistiu de participar da celebração. “Estou procurando passagem de última hora pra ir esse ano”, exclamou ela.

Sobre o Círio de Nazaré

Todo segundo domingo do mês de outubro é sinônimo de celebração em Belém do Pará. Este ano, a capital nortista realiza a 232ª edição do Círio de Nazaré, uma das maiores e mais tradicionais procissões católicas do mundo. 

O evento é considerado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO e começou a fazer parte da tradição local em 1700, quando uma imagem da Virgem foi encontrada às margens do igarapé Murutucu, em Belém. 

Este ano, a procissão acontecerá no dia 13. São esperados cerca de 2,5 milhões de participantes, vindos de várias regiões do Brasil e do exterior.

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