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Economia

Haddad anuncia pacote fiscal de R$ 70 bi, isenção de IR até R$ 5 mil e taxação superior a R$ 50 mil

Por José Gabriel Herculino
Atualizado há 2 anos
Tempo de leitura: 4 mins
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Outra medida apresentada pelo chefe da equipe econômica, foi a limitação do crescimento do salário mínimo ao intervalo permitido pelo arcabouço fiscal. Foto: Reprodução

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, do PT, anunciou um aguardado pacote que prevê uma economia de R$ 70 bilhões pelos próximos dois anos. As medidas para controle de gastos foram divulgadas em pronunciamento oficial na cadeia de rádio e televisão, na noite desta quarta-feira (27).

“Combater a inflação, reduzir o custo da dívida pública e ter juros mais baixos é parte central de nosso olhar humanista sobre a economia. O Brasil de hoje não é mais o Brasil que fechava os olhos para as desigualdades e para as dificuldades da nossa gente. Quem ganha mais deve contribuir mais, permitindo que possamos investir em áreas que transformam a vida das pessoas”, garantiu o ministro.

Uma das decisões mais aguardadas foi a consolidação de uma das promessas de campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT): a isenção do Imposto de Renda (IR) aos contribuintes que ganhem até R$ 5 mil por mês. 

“A nova medida não trará impacto fiscal, ou seja, não aumentará os gastos do governo. Porque quem tem renda superior a R$50 mil por mês pagará um pouco mais. Tudo sem excessos e respeitando padrões internacionais consagrados”, afirmou Haddad.

Outra medida apresentada pelo chefe da equipe econômica, foi a limitação do crescimento do salário mínimo ao intervalo permitido pelo arcabouço fiscal. 

A regra de gastos públicos vigente, aprovada em 2023, deu fim ao teto de gastos. Desde então, as despesas do governo podem crescer entre 0,6% – em períodos de retração – e 2,5% – em momentos de expansão acima da receita do ano predecessor. Dentro da banda, os gastos poderão aumentar até 70% da variação da receita do ano anterior.

Contudo, valores como os do salário mínimo e outras despesas do governo têm crescido a um ritmo acima do permitido pela regra fiscal, de modo a encalcar as despesas discricionárias – os investimentos – no orçamento federal.

Outras propostas contempladas foram:

  • Reajuste no abono salarial;
  • Ajustar o crescimento dos gastos com as emendas parlamentares ao limite do arcabouço (2,5% ao ano);
  • Mudanças na idade mínima para aposentadoria dos militares;
  • Limitação de transferência de pensões.

No caso do abono salarial, o Governo vai preservar para quem recebe até R$2.640. Esse montante será corrigido pela inflação nos próximos anos e se tornará permanente quando corresponder a um salário mínimo e meio.

Ademais, 50% das emendas de comissões do Congresso serão destinadas obrigatoriamente para a saúde pública, de modo a reforçar o Sistema Único de Saúde (SUS).

“Para garantir os resultados que esperamos, em caso de déficit primário, ficará proibida a criação, ampliação ou prorrogação de benefícios tributários”, afirmou o ministro em pronunciamento feito em rede nacional.

As medidas apresentadas por Haddad ainda passarão por votação e precisam de aprovação no Congresso Nacional. O ministro da Fazenda garante ter “esperança” de uma aprovação das propostas ainda este ano, apesar do calendário apertado e de outras pautas na fila.

O pacote fiscal havia sido prometido para após as eleições municipais. Mas foi passado para o segundo turno do pleito, em 27 de outubro deste ano. 

O anúncio era esperado pois há temores de que, sem ajustes, a situação atual das contas públicas leve à insustentabilidade das regras aprovadas pelo próprio governo no novo arcabouço fiscal. 

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