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Desemprego recua a 6,2% e atinge mínima da série histórica

Por UrbNews
Atualizado há 1 ano
Tempo de leitura: 5 mins
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Antes da divulgação desta sexta, a mínima havia sido registrada no trimestre até dezembro de 2013. À época, a taxa foi de 6,3%. Foto: Divulgação

A taxa de desemprego voltou a recuar e atingiu 6,2% no Brasil no trimestre até outubro, apontam dados divulgados nesta sexta (29) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

É o menor patamar da série histórica da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), que teve início em 2012.

Antes da divulgação desta sexta, a mínima havia sido registrada no trimestre até dezembro de 2013. À época, a taxa foi de 6,3%.

O maior patamar da série, por outro lado, ocorreu nos intervalos finalizados em março de 2021 e setembro de 2020, quando o indicador alcançou 14,9%, sob impacto da pandemia.

“Do ponto de vista dos indicadores, eles são muito consistentes”, disse Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE.

A técnica associou o resultado à geração de empregos em diferentes setores da economia. “É uma melhoria que vem sendo sustentada trimestre após trimestre”, afirmou.

O desemprego estava em 6,8% no trimestre até julho deste ano, que serve de base de comparação.
Para o intervalo até outubro, o mercado financeiro já esperava a mínima de 6,2%, segundo a mediana das projeções de analistas consultados pela agência Bloomberg. O intervalo das estimativas ia de 6% a 6,4%.

Conforme o IBGE, o número de desempregados atingiu 6,8 milhões até outubro. O instituto afirmou que esse é o menor contingente desde o trimestre encerrado em dezembro de 2014 (6,6 milhões). O número era de 7,4 milhões até julho deste ano.

A população desocupada reúne pessoas de 14 anos ou mais que estão sem trabalho e que seguem à procura de oportunidades. Quem não está buscando vagas, mesmo sem ter emprego, não faz parte desse grupo nas estatísticas oficiais.

Ocupação renova recorde

O número de pessoas ocupadas com algum tipo de trabalho foi estimado em 103,6 milhões no trimestre até outubro. Isso significa que o indicador voltou a bater recorde. O contingente era de 102 milhões até julho.

O IBGE indicou que o aumento do número de ocupados veio espalhado por diferentes setores, destacando as variações na indústria (2,9%, ou mais 381 mil), na construção (2,4%, ou mais 183 mil) e em outros serviços (3,4%, ou mais 187 mil). O comércio, por sua vez, teve uma expansão de 248 mil ocupados, o que significa um avanço de 1,3%.

O chamado nível da ocupação subiu a 58,7%, outro recorde da pesquisa. O indicador mede o percentual de pessoas que estão trabalhando em relação à população total de 14 anos ou mais.

Renda fica estável

A renda média dos trabalhadores ocupados foi de R$ 3.255 por mês no trimestre até outubro. O resultado mostra uma variação positiva de 0,8% ante o período até julho (R$ 3.230), mas o IBGE considera o dado dentro da margem de estabilidade.

Ante o trimestre até outubro do ano passado (R$ 3.133), o rendimento cresceu 3,9%. Valores mais altos do que o mais recente (R$ 3.255) só foram encontrados pelo IBGE em 2020, durante a pandemia.

À época, a saída do mercado de trabalhadores informais contribuiu para elevar a média dos ocupados. Ou seja, o rendimento não cresceu na ocasião devido a ganhos salariais, mas, sim, por uma mudança na composição da mão de obra.

Economia aquecida puxa queda do desemprego

Analistas afirmam que a redução do desemprego reflete principalmente o aquecimento da economia. A proximidade do final do ano também pode estimular contratações temporárias.

“É um cenário de resiliência do mercado de trabalho, que já vem há algum tempo, desde a saída da pandemia”, diz o economista Bruno Imaizumi, da consultoria LCA.

Embora seja considerado fator preponderante para entender os dados, o desempenho positivo da atividade econômica não explicaria sozinho o fato de o desemprego estar em um patamar tão baixo para a série do IBGE.

De acordo com Imaizumi, um ponto secundário que contribui para o resultado é a taxa de participação mostrar nível inferior ao do pré-pandemia.

Esse indicador mede a proporção de pessoas de 14 anos ou mais que estão inseridas na força de trabalho como ocupadas (empregadas) ou desempregadas (à procura de oportunidades).

No pré-pandemia, a taxa de participação estava acima de 63%. Durante a crise sanitária, o indicador caiu, e a recuperação não foi suficiente para a retomada do nível anterior à crise. O percentual foi de 62,6% no trimestre até outubro deste ano.

Conforme Imaizumi, o quadro pode estar associado principalmente ao envelhecimento da população.
Tradicionalmente, os mais velhos estão entre os brasileiros com menor inserção no mercado, o que contribuiria para frear a procura por trabalho e, assim, reduzir a pressão sobre a taxa de desemprego.

“Mas isso não anula o fato de que o mercado de trabalho está absorvendo as pessoas, tanto na formalidade quanto na informalidade”, diz o economista.

Ele também vê estímulos para a geração de empregos com a volta de serviços presenciais após a pandemia e com a redução de custos judiciais para empresas depois da reforma trabalhista de 2017.

A taxa de desemprego já havia marcado 6,4% no trimestre até setembro deste ano. O IBGE, contudo, evita a comparação direta entre períodos com meses repetidos, como é o caso dos intervalos finalizados em setembro e outubro.

Leonardo Viecelli da Folhapress.

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