Uma mulher de 42 anos ficou presa por três dias em uma penitenciária do Rio de Janeiro após ir a uma delegacia denunciar ter sido vítima de violência doméstica. Ao tentar registrar a denúncia, ela foi confundida com outra pessoa, de nome parecido, que tinha um mandado de prisão em aberto em Minas Gerais.
Débora Cristina da Silva Damasceno, que vive no interior do Rio de Janeiro, em Petrópolis, foi buscar ajuda da polícia depois de ser agredida pelo marido. Mas quando estava na 105ª Delegacia de Polícia Civil (105ª DP), que fica na cidade, ela foi surpreendida com um mandado de prisão expedido pela Justiça mineira.
O mandado, na verdade, era no nome de Débora Cristina Damasceno (sem o “da Silva”), de Belo Horizonte. Além da diferença no nome, há diferença também na idade: a procurada tem 34 anos, 8 anos mais nova que a mulher que foi efetivamente presa.
Apesar dos protestos, Débora da Silva foi levada de Petrópolis para a cidade do Rio de Janeiro, onde passou os três dias presa. Ela só foi liberada após a constatação do erro e de audiência de custódias.
“Eu passei, por causa de um nome, um erro, eles não acreditaram em mim, que eu era inocente. Eu passei os três piores dias da minha vida, aterrorizante. Eu só peço que os outros, antes de condenar as pessoas, olhem mais, pesquisem mais, antes de julgar uma vida”, disse a vítima, ao sair da prisão nesta terça-feira (18).
A defesa de Débora explicou ao portal Uol que ela foi levada de Petrópolis para cumprir uma pena de nove anos e quatro meses em regime fechado, apesar de ser inocente. “Ela foi presa injustamente, tentou explicar na delegacia que não tinha nada a ver com isso, mas não acreditaram”, contou Reinaldo Máximo, advogado da mulher.
A defesa ainda afirmou que vai processar o estado do Rio por danos morais e psicológicos porque a vítima está “totalmente abalada”. “Ela está traumatizada, diz que passou os piores dias da vida dela dentro desse presídio”, informou.
A 105ª DP, de Petrópolis, informou em nota à imprensa que “na delegacia, foi constatado um mandado de prisão pendente em nome dela. O documento foi expedido pela Justiça de Minas Gerais com os dados da mulher, incluindo nome completo, número da identidade, data de nascimento e nome dos pais. Diante destas informações, conforme legislação vigente, o mandado foi cumprido”.
A delegacia ainda afirmou que registrou o caso de violência doméstica denunciado por Débora da Silva. Foram solicitadas medidas protetivas de urgência e uma investigação foi aberta.




