O Maranhão registrou um aumento de 300% nas denúncias de crimes de racismo e injúria racial em 2024, subindo de 19 para 76 ocorrências, conforme dados do Disque 100, plataforma do Governo Federal que recebe e encaminha denúncias de violações dos direitos humanos para investigação policial.
Segundo a Defensoria Pública dos Direitos Humanos, esse crescimento expressivo é atribuído a várias mudanças importantes, como a alteração na legislação que, desde 2023, equiparou a injúria racial ao crime de racismo, tornando ambos inafiançáveis e sem prescrição.
No Brasil, o aumento no total de denúncias foi de mais de 103%, com 6.504 registros de crimes raciais, comparados a 3.191 no ano anterior.
Fábio Carvalho, defensor público dos Direitos Humanos, destacou que a maior visibilidade sobre o racismo estrutural tem levado as pessoas a não aceitarem mais a banalização de atitudes discriminatórias.
As mulheres têm sido as principais denunciantes, representando quase 57% das vítimas que buscaram a Justiça em 2024. Especialistas apontam que o aumento das denúncias também está ligado ao maior letramento racial, que capacita as vítimas a reconhecerem e reagirem ao racismo.
Projetos como o AfroArte, desenvolvido há mais de 20 anos em escolas do Maranhão, têm papel fundamental nesse processo. A iniciativa promove a cultura africana por meio de rodas de conversa, exposições de arte e desfiles de “beleza negra”, ajudando os alunos a fortalecerem sua identidade e resistência contra a discriminação.




