Linhas finas, cores suaves, tons pastéis e expressividade. Estas são as características da animação do premiado Studio Ghibli – estúdio japonês fundado por Hayo Miyazaki e responsável por longas como “A viagem de Chihiro” e “Princesa Mononoke”. E é este estilo que tem sido replicado por diversos internautas através da nova função de geração de imagem do ChatGPT.
Desde a última terça-feira (25), a ferramenta de inteligência artificial da OpenAI disponibilizou a criação de imagens no “Ghiblified” para os usuários.
E então começou. Centenas de imagens, desde recriações de retratos pessoais a memes da televisão e momentos da política e história do Brasil inundaram as redes sociais como as ondas do clássico “Ponyo” – feitas à mão por Miyazaki. A parte ruim é que a nova febre sobrecarregou os servidores da OpenAI.
O CEO da empresa, Sam Altman, postou em duas ocasiões no X (antigo Twitter) que a trend estava sobrecarregando os servidores da OpenAI. “Imagens no ChatGPT estão bem mais populares do que nós esperávamos (e nossas expectativas já eram altas). A disponibilidade para a nossa versão gratuita infelizmente vai atrasar por um tempo”, escreveu Altman, na última quarta-feira (26).
Na quinta-feira (27), ele voltou ao assunto, anunciando que na versão gratuita os usuários poderão gerar até três imagens gratuitas por dia. Contudo, ele não anunciou uma data para a atualização.
“É demais ver como as pessoas estão amando a geração de imagens no ChatGPT. Mas as nossas unidades de processamento gráfico estão derretendo. Vamos introduzir temporariamente alguns limites enquanto trabalhamos em deixar a ferramenta mais eficiente. Esperamos que isso não demore muito”, escreveu.
Miyazaki repudia IA
Para além do debate sobre direitos autorais, a geração de imagens no “estilo Ghibli” virou motivo de polêmica e críticas, pois Hayo Miyazaki repudia o uso de IA. No trecho do documentário “Homem Sem Fim: Hayo Miyazaki”, lançado em 2016, o diretor chamou a IA de “um insulto à própria vida” e disse que esperava “nunca adotar esse tipo de tecnologia” ao trabalho dele.
Ele não é o único profissional da indústria criativa que demonstra preocupação com a questão. Em 2023, roteiristas de Hollywood paralisaram por 148 dias reivindicando, entre outras coisas, a regulamentação e proteção contra o uso de inteligência artificial na indústria cinematográfica.
Já em 2024, um grupo de 10 mil atores e músicos, incluindo a atriz Julianne Moore e o músico Thom Yorke do Radiohead, assinaram uma carta aberta criticando o “uso não licenciado de obras criativas” para treinar modelos de IA, incluindo o ChatGPT.
‘Máxima liberdade criativa’
Taya Christianson, porta-voz da OpenAI, afirmou que o objetivo da empresa é dar “o máximo de liberdade criativa” aos usuários. Porém, há restrições nas atualizações de geração de imagens pelo ChatGPT.
“Continuamos a impedir gerações no estilo de artistas vivos individuais, mas permitimos estilos de estúdio mais amplos – que as pessoas usaram para gerar e compartilhar algumas criações originais de fãs verdadeiramente encantadoras e inspiradas”, disse em declaração enviada à Urbnews.
A porta-voz concluiu o comunicado afirmando que a OpenAI está sempre “aprendendo com o feedback do mundo real” e que vai continuar “aprimorando” suas políticas à medida que avança.




