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Igreja se prepara para eleger novo pontífice após morte de Papa Francisco; conheça nomes cotados

Por José Gabriel Herculino
Atualizado há 12 meses
Tempo de leitura: 6 mins
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Nas próximas semanas, o Colégio Cardinalício deverá ser convocado ao Vaticano para a realização do conclave – cerimônia que define o novo líder da Igreja. Foto: Divulgação/Vaticano

O Papa Francisco faleceu nesta segunda-feira (21), aos 88 anos, marcando o fim de um dos pontificados mais emblemáticos da história recente da Igreja Católica. Com sua morte, a Santa Sé dá início ao processo que culminará na escolha de seu sucessor.

Nas próximas semanas, o Colégio Cardinalício deverá ser convocado ao Vaticano para a realização do conclave – cerimônia que define o novo líder da Igreja. Apenas cardeais com menos de 80 anos têm direito a voto e, portanto, participarão da escolha do próximo papa.

Entre os cardeais eleitores, alguns nomes despontam como favoritos ao cargo máximo da Igreja, segundo análise do site especializado College of Cardinals Report e de outros analistas. A decisão final, contudo, será tomada em consenso pelos cardeais presentes no conclave, cuja data ainda será oficialmente anunciada, mas deve ocorrer entre 15 e 20 dias após a morte do pontífice.

Robert Sarah (Guiné) 

Entre os possíveis sucessores de Francisco, destaca-se o cardeal Robert Sarah, de 79 anos. Nascido em 15 de junho de 1945, em Ourous, na Guiné, Sarah é reconhecido por sua postura conservadora e forte defesa da tradição dentro da Igreja Católica.

Nomeado cardeal pelo Papa Bento XVI em 2010, ele ocupou até 2021 o cargo de prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, órgão responsável por zelar pela liturgia da Igreja. Autor de diversos livros, o cardeal africano ganhou notoriedade internacional por seu posicionamento firme em relação aos valores doutrinários e à preservação da liturgia tradicional.

Leonardo Ulrich Steiner (Brasil)

Primeiro cardeal da Amazônia brasileira, o arcebispo de Manaus, Leonardo Steiner, foi nomeado ao posto por Papa Francisco em 2022. Embora não apareça entre os nomes mais cotados no College of Cardinals Report, Steiner figura entre os favoritos para a sucessão papal, segundo o jornal O Globo.

Sua presença no cenário sucessório é vista como um reflexo do compromisso da Igreja com questões ambientais e sociais, especialmente ligadas à região amazônica — pauta central do pontificado de Francisco nos últimos anos.

Sérgio da Rocha (Brasil)

Arcebispo de Salvador, o cardeal Sérgio da Rocha tem seu nome citado entre os possíveis sucessores de Papa Francisco, conforme apontado pelo jornal O Globo. Com uma trajetória marcada pela experiência pastoral e atuação em diversas regiões do Brasil, ele tem se consolidado como uma liderança influente na Igreja latino-americana.

Nomeado por Francisco para integrar a Congregação para os Bispos e o seleto Conselho de Cardeais — grupo que auxilia diretamente o pontífice na condução da Igreja —, Sérgio da Rocha é visto como um perfil equilibrado e próximo das diretrizes do atual pontificado.

Luis Antonio Tagle (Filipinas)

Atual pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização, o cardeal filipino Luis Antonio Tagle é considerado um dos nomes mais influentes da Igreja na Ásia. Ex-presidente da Caritas Internacional, ele se notabilizou por sua atuação em causas sociais, defesa dos direitos humanos e presença ativa em missões humanitárias ao redor do mundo.

Nomeado cardeal por Bento XVI, Tagle também tem se destacado por sua postura pastoral acolhedora e por defender uma abordagem mais inclusiva em relação à comunidade LGBTQIA+, alinhando-se ao espírito de abertura promovido pelo pontificado de Francisco.

Pietro Parolin (Itália)

Secretário de Estado do Vaticano desde 2013, o cardeal italiano Pietro Parolin é considerado o “número dois” da Santa Sé e uma das figuras mais influentes na estrutura administrativa da Igreja. Com uma carreira diplomática consolidada, atuou em missões na Venezuela, Nigéria e México, além de ter desempenhado papel-chave em negociações delicadas com países como China e Vietnã.

Parolin é visto como um nome de continuidade na gestão vaticana e um possível candidato ao papado, especialmente por sua experiência institucional e habilidade em lidar com assuntos internacionais complexos.

Jean-Marc Aveline (França)

Arcebispo de Marselha, o cardeal Jean-Marc Aveline tem ganhado projeção como uma das vozes mais influentes da Igreja na França. Elevado ao cardinalato em 2022 por Papa Francisco, Aveline é apontado por especialistas como o favorito do pontífice entre os bispos franceses.

Sua atuação pastoral é fortemente marcada pela defesa dos direitos dos imigrantes e pelo incentivo ao diálogo inter-religioso, especialmente em um contexto europeu cada vez mais desafiado por tensões sociais e culturais.

Daniel Fernando Sturla (Uruguai)

Arcebispo de Montevidéu desde 2014, o cardeal uruguaio Daniel Sturla foi elevado ao cardinalato por Papa Francisco no ano seguinte. Considerado uma das principais lideranças católicas da América Latina, Sturla representa uma corrente pastoral alinhada às diretrizes e ao espírito do pontificado recém-encerrado.

Com forte presença regional, seu nome aparece entre os possíveis sucessores por simbolizar a continuidade de uma Igreja voltada à inclusão, à escuta dos mais vulneráveis e à valorização da realidade latino-americana.

Matteo Maria Zuppi (Itália)

Arcebispo de Bolonha e atual presidente da Conferência Episcopal Italiana, o cardeal Matteo Zuppi é considerado um dos nomes mais próximos de Papa Francisco dentro da hierarquia eclesiástica. Ligado à Comunidade de Sant’Egidio — conhecida por seu trabalho humanitário e atuação em processos de paz —, Zuppi tem se destacado por sua defesa da inclusão social e do diálogo inter-religioso.

Sua projeção internacional aumentou após ser nomeado por Francisco como enviado especial da Santa Sé para mediar esforços de paz na guerra da Ucrânia, reforçando seu perfil diplomático e conciliador. Com forte presença na Itália e respaldo do pontífice, Zuppi é um dos cardeais mais observados neste momento de transição.

Joseph Tobin (Estados Unidos)

Embora a eleição de um papa norte-americano seja vista como improvável por analistas do Vaticano, o cardeal Joseph Tobin é apontado como o nome mais viável caso os cardeais optassem por romper essa tradição.

Ex-arcebispo de Indianápolis e atualmente à frente da Arquidiocese de Newark, Tobin foi promovido ao cardinalato por Papa Francisco em 2016. Antes disso, atuou como segundo em comando de um importante dicastério do Vaticano entre 2009 e 2012, sob o pontificado de Bento XVI.

Sua atuação em Newark foi marcada pela condução firme e transparente de um dos maiores escândalos recentes da Igreja nos Estados Unidos — o caso envolvendo o ex-cardeal Theodore McCarrick, acusado de má conduta sexual. Tobin recebeu reconhecimento público por ter decidido tornar acessíveis acordos antes confidenciais firmados com as vítimas.

Conhecido por seu perfil carismático e acessível, o cardeal — o mais velho de 13 irmãos e alcoólatra em recuperação assumido — também é lembrado por sua defesa de uma Igreja mais acolhedora. Em 2017, escreveu que pessoas LGBTQIA+ muitas vezes se sentiram “indesejadas, excluídas e até mesmo envergonhadas” dentro da comunidade católica, e defendeu uma abordagem pastoral mais inclusiva.

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