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‘Ainda Estou Aqui’ conquista três Prêmios Platino e é eleito melhor filme na Espanha

Por José Gabriel Herculino
Atualizado há 12 meses
Tempo de leitura: 4 mins
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Em março último, “Ainda Estou Aqui” se tornou o primeiro longa brasileiro a vencer um Oscar, na categoria de melhor filme internacional. Foto: Alile Dara Onewale/Divulgação⁠

A temporada de premiação de “Ainda Estou Aqui” segue angariando láureas por todo o mundo. Neste domingo (27), a obra recebeu três estatuetas na 12º edição dos Prêmios Platino del Cine Iberoamericano. O longa levou a melhor nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção (Walter Salles) e Melhor Atriz (Fernanda Torres).

O Prêmio Platino de Cinema Ibero-Americano é uma premiação que busca contemplar os destaques do ano produzido na Ibero-América, desde 2014. A premiação ocorreu em Madri, Espanha. 

Fernanda Torres e Walter Salles não estavam na premiação. A atriz Valentina Herszage, que interpreta Vera Paiva no filme, foi quem subiu ao palco para receber a estatueta de Torres. Já o prêmio de Salles foi recebido por Rodrigo Teixeira, produtor do longa.

“Eu gostaria muito de poder estar presente esta noite, mas, infelizmente, isso não foi possível devido a compromisso de trabalho. Quero dizer que é uma honra imensa receber esse prêmio. Sou fruto da cultura ibero-americana, a península Ibérica é minha segunda casa e esse reconhecimento reforça em mim o orgulho de fazer parte de uma força cultural que no cinema pariu artistas como Luis Buñuel, Pedro Almodóvar, Alejandro Iñarritu, Alfonso Cuarón, Ricardo Darín, Norma Alejandro, Penélope Cruz, Javier Barden, Marisa Paredes, de Glauber Rocha a Fernanda Montenegro”, começa o relato de Fernanda Torres, lido por Valentina Herszage ao aceitar o prêmio (leia o discurso na íntegra no fim da matéria).

Inspirado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, “Ainda Estou Aqui” conta a história real de Eunice Paiva, advogada e ativista brasileira que passou 40 anos buscando a verdade sobre o desaparecimento de seu marido, Rubens Paiva. O ex-deputado federal foi torturado e assassinado durante a ditadura militar.

Em março último, “Ainda Estou Aqui” se tornou o primeiro longa brasileiro a vencer um Oscar, na categoria de melhor filme internacional. O filme também concorreu às categorias de melhor atriz (Fernanda Torres) e melhor filme. Mas perdeu para “Anora” em ambas.  

Antes do Oscar, Fernanda Torres venceu o primeiro Globo de Ouro do país na categoria de melhor atriz.

“Ainda Estou Aqui” pode ser conferido no serviço de streaming Globoplay.

Discurso de Fernanda Torres no Prêmio Platino na íntegra:

Eu gostaria muito de poder estar presente esta noite, mas, infelizmente, isso não foi possível devido a compromisso de trabalho. Quero dizer que é uma honra imensa receber esse prêmio. Sou fruto da cultura ibero-americana, a península Ibérica é minha segunda casa e esse reconhecimento reforça em mim o orgulho de fazer parte de uma força cultural que no cinema pariu artistas como Luis Buñuel, Pedro Almodóvar, Alejandro Iñarritu, Alfonso Cuarón, Ricardo Darín, Norma Alejandro, Penélope Cruz, Javier Barden, Marisa Paredes, de Glauber Rocha a Fernanda Montenegro,

Esse é um filme sobre uma família, feito por uma família de artistas e fico feliz de receber pelas mãos de Valentina Herszage, minha filha na ficção, que representa não só a mim aqui nesta noite, mas também ao Selton, a Luiza, a Bárbara, ao Guilherme e a Cora, sem eles, a minha Eunice jamais existiria. Eu agradeço profundamente ao Walter Salles, meu irmão, amigo e parceiro de tantas décadas, a honra de ter habitado a pele dessa mulher. Walter é o coração desse filme raro, tão humano e delicado, sobre a brutalidade da ditadura militar do Brasil, uma das tantas que se espalharam pelas Américas no período da Guerra Fria.

Através de Eunice Paiva revisitei o horror da ditadura que conheci em criança. Essa grande brasileira, advogada, democrata e defensora dos direitos humanos nos ensina, no momento presente, a resistir com alegria e civilidade, sem nos dobrarmos ao autoritarismo. Em nome da Família Paiva, de Marcelo Paiva, e de todos aqueles que defenderam a arte e a democracia, eu repito: ditadura nunca mais! 

Muito obrigada, 

Fernanda Torres.

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