O Brasil registrou o menor número de nascimentos desde 1976, de acordo com pesquisa Estatísticas do Registro Civil realizada em 2023 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada nesta sexta-feira (13). Foram apenas 2,52 milhões de nascidos no ano, cerca de 7% a menos do que em 2022.
Este é o quinto recuo seguido de uma série iniciada em 1974, com uma quantidade de 12% menor que média de 2015 a 2019 (2,87 milhões), anos anteriores à pandemia de Covid-19.
| NASCIMENTOS ANO A ANO | |
| 2018 | 2,9 milhões |
| 2019 | 2,81 milhões |
| 2020 | 2,68 milhões |
| 2021 | 2,64 milhões |
| 2022 | 2,54 milhões |
| 2023 | 2,52 milhões |
Segundo a gerente da Pesquisa de Registro Civil, Klivia Brayner de Oliveira, existem múltiplos fatores que influenciam nesta queda, como, a disseminação de métodos contraceptivos, principalmente para as pessoas baixa renda, o alto custo de criação de uma criança e a mudança de prioridades das mulheres.
“As mulheres adiando a vontade de querer ter filhos, dando prioridade para estudos […] Conforme a idade vai passando, você vai adiando essa decisão de ter filhos, e a chance de ter mais filhos também é menor”, declara a analista do IBGE.
A faixa etária das mães aumentou no ano de 2023, cerca de 39% das mulheres que deram à luz tinham mais de 30 anos, já em 2003 a porcentagem era de apenas 23,9%. Em contrapartida, o número de mães adolescentes diminuiu para 11,8%, em 2003 eram 20,9% das mulheres.
Na região norte do país cerca de 18,7% dos nascidos são oriundos de mães adolescentes (até 19 anos). O estado do Acre tem a maior concentração desses números, com 21,4%, seguido pelo Amazonas, com 20,5%.
Já o Distrito Federal lidera a lista de estados com maiores concentrações de mães com mais de 30 anos, com um total de 49,4%, logo após aparece o Rio Grande do Sul e São Paulo, ambas com 44,3%.
Conforme Klivia, essa diferença tem a ver com questões culturais e de saúde. “Mulheres menos favorecidas economicamente, com mais dificuldade, tendem a ter mais filhos”.



