“O Agente Secreto”, filme de Kleber Mendonça Filho que estreou neste domingo (18) na competição do 78º Festival de Cannes, na França, foi ovacionado por 13 minutos pela plateia que acompanhou a sessão. A produção brasileira almeja a Palma de Ouro – principal láurea do festival – e já desponta como um dos favoritos, até o momento.
A trama é ambientada na década de 1970, durante a ditadura militar brasileira, e acompanha Marcelo (interpretado por Wagner Moura), um especialista em tecnologia, que foge de um passado misterioso. O personagem decide retornar ao Recife em busca de um pouco de paz, mas percebe que a capital pernambucana está longe de ser o refúgio que procura.
O filme é um misto de memória e sonho (ou pesadelo), baseado nas lembranças do próprio Kleber Mendonça Filho, que tinha 9 anos em 1977, quando a história se passa. “O Agente Secreto” mistura uma atmosfera paranoica, violenta, opressora, sem jamais citar o regime militar, tudo isso antes de abraçar a ação.
Ao longo da semana, o título terá diversas sessões no evento. A cerimônia de encerramento e premiação acontece no próximo sábado, dia 24 de maio.
A produção é estrelada por Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone, Isabél Zuaa e Alice Carvalho, além de ser encabeçada por Wagner Moura.
Veja algumas reações da crítica a “O Agente Secreto”
Indie Wire
“Longe da imagem de espionagem de alta octanagem que seu título pode sugerir, ‘O Agente Secreto’ apenas esbarra em tramas de espionagem como que por acidente, e seu protagonista parece estar tão confuso com eles quanto nós. O filme segue o ritmo e o teor de um drama no exílio, embora repleto de diversão de filme B e perseguido por dois assassinos inescrupulosos.”
“A saga gentil, transportadora e imaculadamente texturizada de morte e memória de Kleber Mendonça Filho no Brasil de 1977 é um complemento fascinante para ‘Ainda Estou Aqui’ do ano passado (e um filme mais forte no geral, eu acho).”
Pierre X. Garnier, diretor do festival 7ème Lune
“‘O Agente Secreto’ de Kleber Mendonça Filho é um thriller fascinante e poderoso, ambientado durante a ditadura brasileira. Wagner Moura, magnético, irradia e carrega o filme com maestria. Uma obra de tensão, brilhantemente encenada. Filme muito bom.”
Screen Daily
“O quarto longa-metragem de ficção de Kleber Mendonça Filho é um filme saturado de suor: um thriller de linha do tempo dupla movido pelo tipo de energia anárquica e errática que você esperaria encontrar no final de uma farra de dois dias.”
Variety
“O drama de época cinematograficamente deslumbrante revela uma surpreendente rede de apoio clandestina operando durante o período da ditadura militar brasileira, quando vidas humanas eram consideradas dispensáveis. (…) Mendonça mostra uma capacidade notável não só de recriar, mas de nos transportar de volta àquele tempo, com o seu calor opressivo e paranoico.”




