Depois de cerca de 250 dias de elevação constante, o Rio Negro em Manaus apresentou a primeira baixa de nível registrada desde outubro de 2024. De acordo com a Defesa Civil do Amazonas, o rio recuou dois centímetros nesta quarta-feira (9), marcando agora 29,03 metros.
Apesar da redução, o cenário ainda é preocupante. O nível atual continua acima da cota de inundação severa, e os impactos da cheia continuam afetando milhares de pessoas. Segundo o último boletim oficial, mais de 525 mil moradores do estado enfrentam prejuízos como alagamentos, isolamento e perdas na produção agrícola.
O processo de cheia começou após uma seca histórica e manteve-se em crescente desde 13 de outubro do ano passado, com estabilidade apenas nos últimos dias. A marca mais alta registrada neste ano, no entanto, está abaixo do recorde histórico de pouco mais de 30 metros, atingido em 2021, e segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a tendência é que esse pico não seja alcançado.
Cheia atípica
Em entrevista ao G1, a superintendente do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Jussara Cury, afirma que o comportamento incomum do rio nesta época do ano tem explicação: o excesso de chuvas no norte da bacia amazônica, somado aos altos níveis do rio Solimões.
Nos arredores do Mercado Municipal Adolpho Lisboa, um dos principais pontos turísticos da capital, algumas ruas já estão cobertas pela água. O tráfego de carros e pedestres está comprometido, afetando comerciantes, moradores e motoristas que atuam na região.
Até esta quarta-feira (9), 40 dos 62 municípios do Amazonas permanecem em situação de emergência decretada pelo governo estadual. A Defesa Civil segue monitorando o comportamento dos rios e orientando a população das áreas mais afetadas.




