Durante uma cerimônia no Rio de Janeiro, o cineasta e bilionário Walter Salles, conhecido por sucessos como Central do Brasil e Ainda Estou Aqui, usou seu discurso para defender uma causa que divide opiniões: a taxação das grandes fortunas.
Em meio a um público formado por artistas, empresários e jornalistas, o diretor foi aplaudido ao pedir mais justiça tributária no país. “O importante hoje é a construção de um Brasil mais justo e igualitário, corrigindo distorções de um sistema que, como a gente sabe, cobra mais de quem tem menos”, declarou.
Salles, que foi homenageado ao lado da atriz Fernanda Torres como personalidade do ano no Prêmio Faz a Diferença, defendeu a ideia de um sistema progressivo de cobrança de impostos. “Quero deixar aqui todo o meu apoio à taxação das grandes fortunas e à democracia com justiça tributária”, afirmou.
A fala ganha relevância considerando o peso financeiro do próprio diretor. Segundo a revista Forbes Brasil, Walter Salles está entre os 50 brasileiros mais ricos, com uma fortuna estimada em US$ 5,3 bilhões, cerca de R$ 30 bilhões na cotação atual.
Apesar da carreira reconhecida no cinema, grande parte da fortuna de Walter Salles vem de uma herança familiar ligada ao setor financeiro e à indústria de metais raros. Ele é neto de Walther Moreira Salles, fundador do Unibanco, que em 2008 se fundiu com o Itaú, formando o maior banco da América Latina.
Além disso, a família possui participação na Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), empresa que detém o controle de cerca de 80% do mercado global de nióbio, um metal estratégico usado em ligas de alta tecnologia.
Até 2022, Walter dividia com os irmãos uma fatia da holding que controla o Itaú Unibanco. Após uma reorganização interna, ele vendeu sua parte aos irmãos Pedro e Fernando Moreira Salles, mantendo, no entanto, vínculos com outras frentes da família, como o Instituto Moreira Salles, um dos principais centros culturais do país.




