A atriz Marisa Orth comentou sobre a condenação atribuída ao humorista Leo Lins por contar piadas consideradas “discriminatórias” em um show. Segundo a artista, embora não conheça o comediante, alguns cortes que na internet “são pesados”, no entanto, o caso é complexo e considera a decisão da Justiça um “excesso”.
“O pouco que eu vi, não sou muito fã, assim, não tenho que falar, assim. Não é que eu não sou, não é um artista que me chama a atenção, que eu dou risada. Nem sabia, assim, que tinha essa característica atrelada a ele. E não ser muito fã não é criticar, entendeu? Realmente não conheço muito. E adoro essa nova onda de humor, gosto do humor sendo valorizado. Ele veio numa onda de os jovens valorizando o humor”, iniciou durante participação no programa Roda Viva, da TV Cultura.
“Acho legal o stand-up, acho legal a valorização do humor em geral. Agora, os cortes que a gente vê na internet são muito violentos, assim. Eu acho assim, gente, uma coisa é você dizer num barzinho o que você acha, outra coisa é dizer aqui num programa. É muito arriscado. Eu acho, a priori, a condenação ‘cadeia oito anos’ um excesso, um exagero. Isso, sem dúvida”, considerou.
Na sequência, Marisa fez uma reflexão sobre a arte nos dias atuais. “A questão do politicamente correto precisa ser revista o tempo todo. O que nasceu como um avanço, pode virar um retrocesso. […] eu penso que as coisas que nos serviram no século XX, não vão mais nos servir atualmente e precisamos criar outras maneiras de categorizar as lutas políticas. As categorias que existiam, não servem mais. A arte precisa incomodar, mas não pode proibir. A multa para o artista é a falta de público”, afirma.
Condenação de Leo Lins
A decisão da 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo favorável à condenação de 8 anos de prisão contra Leo Lins foi proferida no mês passado, por propagar discursos considerados discriminatórios contra diferentes grupos sociais durante um show de stand-up publicado na internet.
Além disso, o comediante terá que fazer o pagamento de multa e indenização por danos morais coletivos. A decisão cabe recurso, e, segundo, o jornal Gazeta do Povo, a defesa de Leo já recorreu da decisão.
No documento, a defesa pede a absolvição do artista, argumentando que o show caracteriza obra de ficção e representa apenas um contexto artístico, sem refletir opiniões pessoas de Leo. Alega ainda que as falas devem ser analisadas dentro de um contexto de um show, já que fazem parte de uma personagem.



