Blocos de rua de Belo Horizonte tomaram a Praça da Estação, no Centro da capital mineira, na manhã deste sábado (19), para um ato batizado de “Cortejo da Tornozeleira”. A manifestação, embalada por percussão e metais, foi uma resposta bem-humorada, mas política, à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que impôs restrições ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e o bloqueio de suas redes sociais.
Por volta das 12h30, cerca de 150 pessoas já acompanhavam o cortejo, que seguiu rumo à Rua Sapucaí, no bairro Floresta, região Leste da cidade. O ato não teve organização centralizada e foi descrito pelos participantes como um movimento espontâneo.
“É uma resposta imediata de nós, blocos de luta de Belo Horizonte, em apoio à ação da Polícia Federal, do STF e da Justiça”, explicou o eletricitário Antônio Marcos de Oliveira, integrante de diversos blocos tradicionais da cidade, como Orquestra de Pífanos, Volta Belchior e Coco da Gente.
Um dos símbolos do protesto foi um pé gigante com tornozeleira eletrônica estampada com a bandeira do Brasil. A peça foi criada pelo analista de sistemas Tomáz Dias de Freitas, que contou ter produzido a escultura artesanalmente entre a noite de sexta e a madrugada de sábado, usando materiais como PVC, papelão e barbante. Ele também tocou no naipe de metais do cortejo.
A manifestação também foi marcada por críticas ao ex-presidente. A aposentada Ruslana Alvarenga Alves foi uma das que participaram do protesto. “Eu não aceito a forma como Bolsonaro conduziu o governo e, agora, ele tenta submeter o Brasil aos interesses de outro país para se defender. A prisão dele é questão de justiça”, afirmou.




