O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou seu perfil nas redes sociais para demonstrar apoio aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) na manhã deste sábado (19). Oito magistrados tiveram seus vistos americanos revogados pelo governo dos Estados Unidos.
“Minha solidariedade e apoio aos ministros do Supremo Tribunal Federal atingidos por mais uma medida arbitrária e completamente sem fundamento do governo dos Estados Unidos”, escreveu Lula.
A decisão de revogação foi informada na noite desta sexta-feira (18) pelo secretário de Estado do país, Marco Rubio.
Ainda em sua publicação, Lula defendeu a não interferência do país norte-americano na justiça do Brasil. Em carta informando sobre a taxação dos produtos brasileiros em 50% a partir de primeiro de agosto, o presidente Donald Trump manifestou seu apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pediu que o governo parasse com a “caça às bruxas”.
“A interferência de um país no sistema de Justiça de outro é inaceitável e fere os princípios básicos do respeito e da soberania entre as nações. Estou certo de que nenhum tipo de intimidação ou ameaça, de quem quer que seja, vai comprometer a mais importante missão dos poderes e instituições nacionais, que é atuar permanentemente na defesa e preservação do Estado Democrático de Direito”, declarou o presidente brasileiro.
Minha solidariedade e apoio aos ministros do Supremo Tribunal Federal atingidos por mais uma medida arbitrária e completamente sem fundamento do governo dos Estados Unidos.
— Lula (@LulaOficial) July 19, 2025
A interferência de um país no sistema de Justiça de outro é inaceitável e fere os princípios básicos do…
Além do presidente, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também se manifestou sobre a decisão da Casa Branca. “Essa retaliação agressiva e mesquinha a uma decisão do Tribunal expõe o nível degradante da conspiração de Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo Bolsonaro contra o nosso país”, disse a ministra.
Já o ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AG), Jorge Messias, declarou que: “Não se pode coadunar com a deturpação que pretende imputar a tais autoridades brasileiras a prática de atos de violação de direitos fundamentais tampouco censura à liberdade de expressão, quando em verdade sua atuação se orienta nos estritos limites do ordenamento jurídico, em favor da conservação da integridade da nossa Democracia e dos predicados do Estado de Direito”.
A decisão se estendeu apenas aos ministros Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia, Edson Fachin e Gilmar Mendes. Desse modo, não sofreram restrições os ministros Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça.
Na última sexta-feira, Alexandre de Moraes determinou medidas cautelares contra Bolsonaro por risco de fuga. Entre elas, o monitoramento por tornozeleira eletrônica, e restrição das redes sociais e da comunicação com outros investigados na suposta trama golpista. A decisão foi confirmada de forma unânime pela Primeira Turma do STF.
Além disso, foi determinado toque de recolher que obriga Bolsonaro a permanecer em casa das 19h às 6h de segunda a sexta, e de maneira integral nos finais de semana e feriados.



