A senadora e ex-ministra da Mulher do governo Bolsonaro (2019 – 2022), Damares Alves (Republicanos), declarou ser a favor de cotas sociais para pessoas trans. Damares afirmou que tem “uma identificação muito grande com as travestis”. A declaração foi feita durante entrevista ao podcast “Cortadas do Firmino”, no último sábado (26).
“A travesti sai de casa muito cedo. É muito fácil você conseguir um emprego para um gay, para uma lésbica, para um trisal. Mas a travesti, pelo jeito exuberante dela, você não encontra travesti num banco trabalhando. Você não encontra travesti em lojas. Elas são diferentes, elas são extremamente alegres, trabalhadoras”, pontuou a parlamentar.
Segundo a ex-ministra, é raro que empresas recebam currículos de travestis, pois “elas saem de casa praticamente na adolescência”. “O que sobra para elas? Salão de beleza ou vai ser profissional do sexo”, afirmou.
“Quando eu vejo esse público extremamente vulnerável, porque aí a travesti, ela envolve a questão da sexualidade e da pobreza. Então, quando eu penso na travesti, eu defendo a cota social”, continuou Damares.
E completou: “No caso dela, ela é duplamente vulnerável. Elas não vão para a faculdade. Elas não estudam. Elas não ingressam no mercado de trabalho”.
Ainda conforme Damares, cotas sociais para pessoas trans poderia ser uma pauta da direita brasileira.
“No governo Bolsonaro, sabe o que a gente fez? Nós fomos qualificá-las. Mas eu não fui qualificá-las para ser cabeleireira. Qual é o potencial dessa cidade? É indústria? Vamos nos qualificar para a indústria”, afirmou.
Cotas para pessoas trans
O projeto de acesso ao ensino superior por meio do sistema de cotas se popularizou no Brasil na última década. Os primeiros beneficiados foram alunos negros e oriundos de escolas públicas. Desde 2018, uma série de universidades tem instituído a reserva de vagas para pessoas trans e travestis.
A tendência visa reduzir a exclusão dessas populações na educação e no mercado de trabalho. Conforme a Associação Nacional de Travestis e Transsexuais (Antra), somente 0,3% das pessoas trans no Brasil conseguem acessar o ensino superior.
Conheça 10 universidades que aprovaram cotas para pessoas trans:
- UFSB (Universidade Federal do Sul da Bahia)
- UFBA (Universidade Federal da Bahia)
- UFABC (Universidade Federal do ABC)
- FURG (Universidade Federal do Rio Grande)
- UFLA (Universidade Federal de Lavras)
- UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina)
- UFSM (Universidade Federal de Santa Maria)
- Unifesp (Universidade Federal de São Paulo)
- UFF (Universidade Federal Fluminense)
- UnB (Universidade de Brasília)




