A nova tarifa de importação de 50% sobre produtos brasileiros foi oficializada nesta quarta-feira (30) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A medida começa a valer em sete dias e afeta diretamente setores como o de carnes, frutas e café.
No entanto, uma lista com quase 700 categorias de produtos ficou de fora da alíquota extra, entre elas estão suco de laranja, petróleo e aeronaves comerciais, itens relevantes na balança comercial entre os dois países.
Além de poupar parte do agronegócio, a ordem executiva também isenta subprodutos do aço, carvão, celulose e até simuladores de voo e componentes de aviões civis. A notícia provocou reação positiva imediata no mercado financeiro. Ações da Embraer fecharam o dia em alta de 10%, enquanto o dólar recuou após uma manhã de forte valorização.
O decreto representa um aumento de 40% nas tarifas anteriores, que já haviam sido elevadas para 10% em abril. A nova sobretaxa coloca o Brasil no topo da lista de países com maior tarifa aplicada pelos EUA, e é justificada pelo governo Trump como uma resposta a supostas ameaças do governo brasileiro à segurança nacional e aos interesses políticos dos Estados Unidos.
No documento, Trump alega que autoridades brasileiras estariam agindo contra empresas e cidadãos americanos, com críticas diretas ao Supremo Tribunal Federal e ao ministro Alexandre de Moraes. Entretanto, não há qualquer menção a dados sobre comércio bilateral, volume de trocas ou questões econômicas entre os dois países.
Entre os produtos afetados, um exemplo é o etanol: a tarifa que era de 2,5% subirá para 52,5% com a entrada em vigor da nova regra. Especialistas alertam que os efeitos podem encarecer produtos no Brasil, pressionar a inflação e reduzir drasticamente a competitividade dos exportadores nacionais no mercado americano.
O decreto também prevê novas sanções caso o Brasil adote medidas de retaliação, mas abre brecha para revisão ou suspensão das tarifas, caso o país “se alinhe” aos interesses dos Estados Unidos.
Embora a nova tarifa afete diversos setores, especialistas observam que produtos como carne bovina, frutas tropicais e café, que compõem parte expressiva das vendas brasileiras aos EUA, não foram mencionados entre os itens específicos da sobretaxa.
Já as exportações de aço, por exemplo, passam a enfrentar uma barreira ainda maior: desde junho, esse insumo já vem sendo tributado com uma alíquota global de 50% pelos Estados Unidos. O Brasil fica atrás apenas do Canadá como maior fornecedor de ferro e aço ao mercado norte-americano.




