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Economia

Ceará deve perder R$ 1,6 bilhão, mesmo sem aço entrar na lista de produtos taxados pelos EUA

Com as tarifas mantidas sobre o agronegócio brasileiro e o setor de calçados, a medida assinada por Trump nesta quarta-feira (30), afetará diretamente a economia cearense
Por Driccia Hellen
Atualizado há 11 meses
Tempo de leitura: 5 mins
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Cerca de 694 produtos não entraram na lista que impõe uma taxa de 50%. Foto: Celso Tomaz / Ascom Complexo do Pecém

Mesmo com a retirada do aço, principal item cearense exportado para os Estados Unidos, da lista de produtos taxados em 50% pelo presidente Donald Trump, é estimado que o Ceará deixe de comercializar cerca de R$ 1,6 bilhão com o país norte-americano, segundo previsão do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec), Amílcar Silveira.

Com as tarifas mantidas sobre o agronegócio brasileiro e o setor de calçados, a medida assinada por Trump nesta quarta-feira (30), afetará diretamente a economia cearense que seguirá exportando apenas produtos como cera de carnaúba, frutas e pescados, de acordo com Amílcar Silveira.

Cerca de 694 produtos não entraram na lista que impõe uma taxa de 50% sobre as exportações brasileiras, entre eles, o aço e o alumínio, principais produtos exportados do Ceará para os EUA. 

Com os produtos siderúrgicos de fora da lista de Trump, estima-se que o impacto do tarifaço norte-americano no Ceará seja menor, já que os itens correspondem a 50 % dos produtos cearenses importados para os EUA. Os produtos já haviam sido taxados em 50% desde o começo do ano.

Segundo o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, o aumento das tarifas não tem justificativa técnica ou econômica. 

“A confirmação da aplicação da sobretaxa sobre os produtos brasileiros, ainda que com exceções, penaliza de forma significativa a indústria nacional, com impactos diretos sobre a competitividade. Não há justificativa técnica ou econômica para o aumento das tarifas, mas acreditamos que não é hora de retaliar. Seguimos defendendo a negociação como forma de convencer o governo americano que essa medida é uma relação de perde-perde para os dois países, não apenas para o Brasil”, disse.

A Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) se reuniu nesta quarta-feira (30), com suas áreas técnicas, Observatório da Indústria Ceará e Centro Internacional de Negócios (CIN), além de empresários cearenses com pauta de exportação para os Estados Unidos, para analisar todas as informações anunciadas pelo presidente Trump.

Abaixo do setor siderúrgico, o setor que deverá ser mais afetado será a produção calçadista cearense na qual representa 25% da produção brasileira e emprega 69 mil trabalhadores, conforme dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). 

Em 2025, o setor cearense de calçados exportou cerca de 10% para os EUA, segundo informações da ComexStat, se consolidando como o segundo segmento que mais vende para os norte-americanos, movimentando US$ 104,2 milhões (R$ 581 milhões na conversão atual).

Outra área que deverá ser muito afetada com o tarifaço é o agronegócio cearense, que representa 30% das exportações, de acordo com dados da plataforma ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), e deve ser o principal afetado.

Conforme dados do ComexStat, a cera de carnaúba, os pescados e as frutas foram responsáveis por 15,57% de todas as exportações cearenses nos seis primeiros meses deste ano.

Na noite desta quarta-feira (30), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) elaborou uma lista de oito medidas a serem tomadas para tentar mitigar os efeitos do tarifaço americano.  A lista foi entregue ao ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, ainda no mesmo dia.

Conheça as medidas propostas:

  • Criar linha de financiamento emergencial do BNDES, com juros de 1% a 4% a.a., específicas para capital de giro para empresas que tiverem exportações afetadas e suas cadeias produtivas;
  • Ampliar, de 750 dias para 1.500 dias, o prazo máximo entre a contratação e a liquidação do contrato de câmbio de exportação nas modalidades Antecipação de Contrato de Câmbio (ACC) e Adiantamento sobre Cambiais Entregues (ACE), especialmente aqueles que estão em andamento, realizados por bancos públicos e desenvolvimento, após o embarque da mercadoria ou após a prestação do serviço;
  • Prorrogar o prazo e/ou carência para pagamento de financiamentos direcionados ao comércio exterior, como PROEX e BNDES-Exim;
  • Aplicar direito provisório de dumping e reforçar os recursos humanos e tecnológicos para resposta rápida a desvios de comércio;
  • Adiar, por 120 dias, o pagamento de todos os tributos federais, incluindo as contribuições previdenciárias, e parcelar, em pelo menos seis parcelas mensais e sem incidência de multas e juros, o pagamento dos valores dos tributos que tiveram o recolhimento adiado;
  • Realizar o pagamento imediato dos pedidos de ressarcimento de saldos credores de tributos federais (PIS/Cofins e IPI) já homologados pela Receita Federal do Brasil e garantir compensações mais ágeis e previsíveis;
  • Ampliação do Reintegra, com elevação para 3% da alíquota de ressarcimento de tributos residuais nas exportações;
  • Reativar o Programa Seguro-Emprego (PSE) com aperfeiçoamentos.
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