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Assalto ao Banco Central em Fortaleza: maior furto da história do Brasil completa 20 anos

Mesmo após duas décadas e mais de 130 denunciados, a maior parte do dinheiro furtado segue desaparecida
Por Iôrran Freire
Atualizado há 9 meses
Tempo de leitura: 3 mins
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A ousadia e a sofisticação do plano revelaram um grupo com conhecimento técnico em engenharia e logística. Foto: Divulgação/Polícia Federal

Na madrugada de 6 de agosto de 2005, uma quadrilha altamente especializada conseguiu acessar o cofre do Banco Central, em Fortaleza, sem disparar alarmes ou ser vista. Ao todo, foram levados mais de R$ 164 milhões em cédulas de R$ 50 já usadas, transportadas por um túnel subterrâneo de 80 metros escavado ao longo de três meses. O caso não apenas chocou o Brasil, como entrou para o ranking dos maiores furtos a banco do mundo.

A ousadia e a sofisticação do plano revelaram um grupo com conhecimento técnico em engenharia e logística. Disfarçados de empresários, os criminosos alugaram uma casa no Centro da capital cearense, supostamente para montar uma empresa de grama sintética. 

De lá, iniciaram a escavação silenciosa que cruzou a Rua 25 de Março até chegar diretamente ao subsolo do Banco Central. O crime só foi descoberto dois dias depois, em 8 de agosto, quando funcionários perceberam o furto.

Batizada de “Operação Toupeira”, a investigação da Polícia Federal identificou mais de cem suspeitos, incluindo membros de facções, empresários e operadores financeiros. Entre os líderes apontados estão nomes como Davi Salviano da Silva (“Véi Davi”), Luís Fernando Ribeiro (“Fernandinho”), e Antônio Jussivan Alves dos Santos (“Alemão”), além do engenheiro Moisés Teixeira da Silva, apelidado de “Toupeira” e responsável técnico pelo túnel.

A operação de lavagem do dinheiro foi quase tão ambiciosa quanto o furto: imóveis, carros de luxo e bens comprados à vista em diferentes estados com valores superfaturados foram utilizados para tentar lavar os milhões desviados. Parte do dinheiro foi localizada em Minas Gerais dias após o crime, quando veículos transportando R$ 2,5 milhões foram interceptados. Mas a maior parte da fortuna desapareceu.

Ao longo de duas décadas, o caso gerou 28 ações penais, com 133 pessoas denunciadas e 119 condenações na Justiça Federal. A maioria dos líderes do grupo foi presa, incluindo “Alemão”, capturado em 2008 após viver como fazendeiro no Distrito Federal e Goiás com uma identidade falsa. Ele foi condenado a mais de 80 anos de prisão por diferentes crimes.

Mesmo com o avanço das investigações, mais de 60% da quantia levada jamais foi recuperada. Apenas R$ 60 milhões retornaram aos cofres públicos, entre dinheiro apreendido e bens leiloados. A grandiosidade do caso e a complexidade da operação seguem sendo objeto de estudo na área de segurança pública e inspiraram produções cinematográficas.

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