Os bolsonaristas que tomaram o controle das mesas diretoras do Senado e da Câmara fizeram revezamento na madrugada desta quinta-feira (7) para não perder o controle dos locais. O grupo realizou, ao longo da noite desta quarta (6) para quinta (7), diversas lives e postagens em redes sociais para mostrar suas movimentações.
Os parlamentares ocuparam os espaços para impedir votações na Câmara e no Senado. Eles disseram que só iriam desobstruir os trabalhos quando projetos pautados por eles, como a anistia aos processados pela tentativa de golpe de Estado, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), fossem colocados em votação.
O estopim para o motim dos bolsonaristas foi a prisão domiciliar de Bolsonaro, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na última segunda-feira (4). Além disso, os apoiadores do ex-presidente também cobram o impeachment de Moraes.
“Pra quem tá fora do Brasil e acompanha: são três e meia da manhã. Três e trinta e três, idade de Cristo, é até simbólico”, declarou o senador Eduardo Girão (Novo-CE), durante transmissão ao vivo diretamente do Senado. Ele estava ao lado do senador Carlos Portinho (PL-RJ).
“Vai dar 4 horas da manhã. E se a gente tá aqui, se você tá aí, é porque tem uma razão. Não desanime, não. A gente precisa do estímulo de vocês. E a gente precisa estimular vocês pela liberdade. Pelo Estado Democrático, pelo devido processo legal”, afirmou Portinho.
Em seguida, os parlamentares Wilder Morais (PL-GO) e Jorge Seif (PL-SC) se juntaram ao grupo para revezamento na mesa diretora do Senado.
Já na Câmara, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) destacou a presença de parlamentares de outras siglas, além do Partido Liberal, na ocupação da Casa. “Hoje sim a gente conseguiu chamar a atenção, paramos o Congresso por dois dias, algo inédito, histórico no nosso país, para que a gente continue vencendo esta batalha”, disse Nikolas Ferreira, ao lado de nomes como o líder do Novo e do PL na Câmara, Marcel van Hattem (Novo-RS) e Sóstenes Cavalcante (PL-AL), respectivamente.
“Nós firmamos um compromisso de que na semana que vem todos esses partidos aqui citados irão trabalhar incessantemente para as nossas prerrogativas constitucionais, que passa pelo fim do foro privilegiado e, consequentemente, a anistia, que é a nossa pauta prioritária”, completou Nikolas.
Na noite desta quarta (6), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), retomou a mesa diretora após atravessar uma multidão de bolsonaristas e realizar uma sessão presencial. Durante seu discurso, ele afirmou que a democracia “não pode ser negociada” e que interesses pessoais ou eleitorais não podem estar acima da vontade do povo.
Já no Senado, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu realizar sessão deliberativa nesta quinta (7), em sistema remoto, temporariamente. Em nota, ele afirmou que “tem por objetivo garantir o funcionamento da Casa e impedir que a pauta legislativa, que pertence ao povo brasileiro, seja paralisada”.
“Não aceitarei intimidações nem tentativas de constrangimento à Presidência do Senado. O Parlamento não será refém de ações que visem desestabilizar seu funcionamento”, afirmou Alcolumbre.




