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Política

Em entrevista a jornal dos EUA, Moraes diz que ‘não há a menor chance de recuar nem um milímetro sequer’

O ministro foi sancionado pelo governo Trump com a Lei Magnitsky, usada para punir estrangeiros acusados de ferir seriamente os direitos humanos
Por José Gabriel Herculino
Atualizado há 8 meses
Tempo de leitura: 3 mins
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O ministro foi sancionado pelo governo Trump com a Lei Magnitsky, usada para punir estrangeiros acusados de ferir seriamente os direitos humanos. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em entrevista ao jornal norte-americano The Washington Post, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu que não pretende recuar em suas decisões sobre o caso do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O conteúdo foi divulgado nesta segunda-feira (18).

Durante a entrevista, o magistrado disse que “não existe a menor possibilidade de recuar nem um milímetro sequer”, apesar das sanções impostas contra ele pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 

“Faremos o que é certo: receberemos a acusação, analisaremos as provas, e quem deve ser condenado será condenado, e quem deve ser absolvido será absolvido”, afirmou Moraes à publicação.

O ministro foi sancionado pelo governo Trump com a Lei Magnitsky, usada para punir estrangeiros acusados de ferir seriamente os direitos humanos. Segundo a Casa Branca, Moraes promove uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro, apesar da ação penal acontecer conforme os trâmites tradicionais do Judiciário brasileiro.

Com a decisão, todos os eventuais bens do ministro do STF nos EUA estão bloqueados, assim como qualquer empresa ligada a ele. Moraes também não pode realizar transações com cidadãos e empresas americanas ー usando cartões de crédito de bandeira americana, por exemplo. 

‘Xerife da democracia’

Na semana passada, a Primeira Turma do STF marcou o julgamento do núcleo principal da trama golpista, integrado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso será julgado entre os dias 2 e 12 de setembro, segundo agenda divulgada pela Corte.

Moraes citou o julgamento durante a entrevista e foi chamado pelo jornal norte-americano de “xerife da democracia”.

O Washington Post também disse que os “decretos expansivos” do magistrado refletiram no mundo inteiro, em menção às sanções impostas a redes sociais, como o X, antigo Twitter.

“Entendo que, para uma cultura americana, seja mais difícil compreender a fragilidade da democracia porque nunca houve um golpe lá”, afirmou Moraes ao jornal.

E completou: “Mas o Brasil teve anos de ditadura sob o [presidente Getúlio] Vargas, outros 20 anos de ditadura militar e inúmeras tentativas de golpe. Quando você é muito mais atacado por uma doença, forma anticorpos mais fortes e busca uma vacina preventiva”.

Em relação às críticas dos apoiadores de Bolsonaro à ação penal que tramita contra ele e aliados na corte, o ministro disse que se tratam de “narrativas falsas”, que atrapalham o relacionamento entre o Brasil e os Estados Unidos, aliados históricos.

Trump impôs uma tarifa de 50% a produtos brasileiros importados em território americano. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, está nos EUA desde fevereiro, e se diz responsável pela interlocução com o governo americano que resultou nas sanções. 

“Essas narrativas falsas acabaram envenenando o relacionamento — narrativas falsas sustentadas pela desinformação disseminada por essas pessoas nas redes sociais”, pontuou Moraes na entrevista. “Então, o que precisamos fazer, e o que o Brasil está fazendo, é esclarecer as coisas”.

O magistrado também foi questionado sobre as sanções americanas e as restrições impostas a ele, além das críticas e ameaças. 

“É agradável passar por isso? Claro que não é agradável”. Mas é preciso defender a democracia, segundo ele. “Enquanto houver necessidade, a investigação continuará”, concluiu Moraes.

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