Belém ultrapassou a marca de 10 mil atendimentos em saúde mental até setembro de 2025, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma). A iniciativa integra a campanha Setembro Amarelo, que visa prevenir o suicídio e reforçar a importância de cuidados psicológicos no ano todo, oferecendo apoio desde as Unidades Básicas de Saúde (UBS) até Centros de Atenção Psicossocial (Caps) especializados.
A cidade conta com uma rede ampla, formada por 95 UBS espalhadas por bairros e distritos, quatro Caps, incluindo unidades voltadas para crianças, adolescentes, adultos e casos relacionados ao uso de álcool e drogas, e uma casa de internação temporária, a Casa Mental do Adulto Maysa Santos.
Além disso, parcerias com universidades e instituições de apoio fortalecem o atendimento, permitindo que psicólogos, terapeutas ocupacionais, enfermeiros e assistentes sociais atuem de forma integrada.
O modelo adotado prioriza a prevenção e o cuidado próximo à comunidade. Pacientes em sofrimento psíquico podem procurar a UBS mais próxima, onde são acolhidos e avaliados para acompanhamento no local ou encaminhamento aos Caps, quando necessário. Equipes multiprofissionais também realizam visitas domiciliares para identificar demandas e orientar cuidados, garantindo acompanhamento contínuo e personalizado.
Casos como o de Letícia Sousa, moradora do bairro da Cabanagem, ilustram a importância desse suporte. Aos 21 anos, ela passou por uma crise de ansiedade e foi atendida pela rede municipal. Hoje socióloga, Letícia reforça que o acompanhamento contínuo e humanizado fez diferença em sua vida.
“A minha experiência na UBS foi muito positiva. Tive melhoras muito significativas, aprendi a lidar com a minha ansiedade e meu emocional amadureceu bastante diante dos problemas da juventude”, disse.
Desafios e prevenção
Os números refletem um desafio crescente no Brasil: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 6% da população brasileira vivia com depressão em 2024, enquanto 9,3% apresentava transtornos de ansiedade, o que posiciona o país como líder nesses índices na América Latina.
A campanha Setembro Amarelo, criada em 2015 pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e Conselho Federal de Medicina (CFM), busca quebrar preconceitos e reforçar que doenças mentais são questões de saúde pública, e não fraqueza individual.
A Sesma destaca que o atendimento vai além da assistência médica: envolve ações preventivas, educação, acolhimento familiar e atividades que promovem o bem-estar e a inclusão social. Instituições parceiras, como a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e clínicas-escola de universidades, contribuem oferecendo serviços gratuitos ou com valor social, inclusive de forma on-line, ampliando o acesso da população.
“O uso excessivo de tecnologias, a pressão por produtividade, a urgência das demandas, o pouco tempo de lazer e a falta de qualidade de vida… tudo isso, a longo prazo, impacta a saúde mental”, afirmou Eluana Costa Carvalho, coordenadora de saúde mental do município.
“A pessoa precisa viver com dignidade, com benefícios, ter lazer, escola pública de qualidade, comida em casa. Tudo isso garante estabilidade em saúde mental”, completou a coordenadora, destacando que procurar a UBS mais próxima é o primeiro passo para quem está em sofrimento psíquico.
Com informações da Prefeitura de Belém.




