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Política

Em Fortaleza, ministro da Saúde critica ‘clã que traiu a Pátria’ e vê oportunidades pós-tarifaço

Em coletiva, Padilha citou oportunidades de ampliar comércio com outros países após tarifaço de Trump; segundo ele, na área da Saúde, o Brasil mais compra do que vende
Por Iôrran Freire
Atualizado há 8 meses
Tempo de leitura: 3 mins
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Padilha ainda enfatizou que, na área da saúde, o Brasil importa mais do que exporta para os EUA. Foto: José Gabriel Herculino/UrbNews

Durante coletiva nesta sexta-feira (5), no Palácio da Abolição, em Fortaleza, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, criticou um “clã que traiu a Pátria” e avaliou que o tarifaço imposto pelos Estados Unidos pode ser transformado em oportunidade para o Brasil expandir negócios com outros países.


“Infelizmente, tem um clã no Brasil que resolveu ir para os Estados Unidos, trair a pátria brasileira, operar contra o Brasil, operar contra empregos no Brasil, operar contra estados […] mas nós estamos encarando isso como uma oportunidade para que a gente possa ampliar ainda mais o nosso comércio, outros países que têm interesse em comprar os nossos produtos”, disse o ministro.


Padilha ainda enfatizou que, na área da saúde, o Brasil importa mais do que exporta para os EUA: “Na área da saúde, a maior parte dos itens a gente compra mais dos Estados Unidos do que a gente vende para os Estados Unidos, cerca de 2,7 bilhões de dólares por ano de balança comercial negativa, ou seja, é uma mentira o que estava escrito naquela carta dizendo que a balança comercial brasileira é positiva em relação aos Estados Unidos”.


Embora o ministro não tenha citado nomes, o que ele classificou como um “clã que traiu a Pátria” pode ser entendido como uma referência à família Bolsonaro. A tensão envolve principalmente ações e declarações de membros da família no exterior, em especial do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que vive nos Estados Unidos.


Entre os episódios criticados, estão iniciativas de Eduardo, que articulou junto ao governo Trump, a imposição de sanções contra Moraes e outros ministros do STF, incluindo a revogação de vistos e a aplicação da Lei Magnitsky.

Atritos com Trump

A nova declaração de Padilha também reflete tensões anteriores do ministro com o governo de Donald Trump. Em agosto, sua esposa e filha tiveram seus vistos americanos revogados em meio a sanções relacionadas ao programa “Mais Médicos”, no qual a Casa Branca apontava como “um esquema de exportação de mão de obra do regime cubano”.


À época, o ministro classificou a medida como parte de uma perseguição do governo norte-americano contra profissionais brasileiros ligados ao programa e definiu Trump como um “inimigo da saúde”.


Em declaração na última quinta-feira (4), Padilha afirmou que ainda não sabe se irá participar da Assembleia Geral da ONU, que acontecerá no próximo dia 9 de setembro, em Nova York. O ministro informou, em entrevista à CNN, que o Itamaraty solicitou aos EUA um novo visto para ele, entretanto, o pedido ainda não foi respondido.

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