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De Michelle Bolsonaro a Kamala Harris, veja repercussão pelo mundo do assassinato de Charlie Kirk

Em pronunciamento gravado no Salão Oval, Trump afirmou que vai identificar “cada pessoa e cada organização” envolvida no que classificou como ato terrorista
Por José Gabriel Herculino
Atualizado há 9 meses
Tempo de leitura: 7 mins
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Em pronunciamento gravado no Salão Oval, Trump afirmou que vai identificar “cada pessoa e cada organização” envolvida no que classificou como ato terrorista. Foto: Reuters/Folhapress

O atentado a tiros em uma universidade de Utah, nos Estados Unidos, que resultou na morte do ativista da extrema direita, Charlie Kirk, desencadeou uma caçada policial em larga escala no país e grande repercussão política. O presidente Donald Trump prometeu uma resposta dura e classificou o crime como um “momento sombrio para a América”.

Em pronunciamento gravado no Salão Oval da Casa Branca, Trump acusou a “esquerda radical” de fomentar um ambiente de hostilidade contra conservadores e afirmou que sua administração vai identificar “cada pessoa e cada organização” envolvida no que classificou como ato terrorista. O presidente também determinou que bandeiras em prédios federais sejam hasteadas a meio-mastro até o próximo domingo (14).

A repercussão política foi imediata no território norte-americano. O ex-presidente dos EUA, Joe Biden, lamentou o ocorrido e disse que “não há lugar em nosso país para esse tipo de violência”. “Ela [violência] precisa acabar agora. Jill [Biden] e eu estamos rezando pela família e pelos entes queridos de Charlie Kirk”, escreveu o democrata no X, antigo Twitter. 

A ex-vice-presidente norte-americana, Kamala Harris também se manifestou sobre o atentado, afirmando que está “profundamente consternada com o tiroteio em Utah” e condenou o ato. “Deixe-me ser clara: a violência política não tem lugar nos Estados Unidos. Condeno este ato e todos devemos trabalhar juntos para garantir que isso não leve a mais violência”, pontuou nas redes sociais.

Outro ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, também afirmou que “esse tipo de violência desprezível não tem lugar em nossa democracia”. “Michelle [Obama] e eu rezaremos pela família de Charlie [Kirk] esta noite, especialmente por sua esposa Erika [Kirk] e seus dois filhos pequenos”, completou o político.

No Brasil, o assassinato de Charlie Kirk também gerou choque e revolta entre políticos, principalmente os de direita. A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro publicou uma foto de Kirk ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em preto e branco, no Instagram e escreveu que “esse é o modus operandi daqueles que pregam o amor e a pacificação”.

Já o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), publicou uma foto do ativista no X, antigo Twitter, e desejou, em inglês, “que Deus receba Charlie Kirk e conforte sua esposa e seus dois filhos”. O parlamentar ainda afirmou, em inglês e portuges, que a morte de Kirk “não será esquecida”. 

“Charlie Kirk não partiu em vão. E quando tentarem nos esmagar, perceberão tarde demais: criaram uma geração que jamais será derrotada”, completou Nikolas.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos EUA, também prestou suas condolências à esposa de Kirk e seus filhos. Além disso, o político elogiou o ativista, afirmando que ele era “um homem brilhante, pessoa de coragem, fé, base moral sólida, sabia o que fazia e o que queria”. 

Eduardo também compartilhou com os seus seguidores do X o episódio em que conheceu Kirk na Flórida, em um evento promovido pelo presidente Donald Trump, do qual seu pai, Jair Bolsonaro, também participou. “No meio do jantar,Trump convidou Bolsonaro até o salão de festas, deu uma palavra e caminharam de volta para a mesa. No caminho, eu os acompanhava logo atrás, e Charlie Kirk, que vinha junto, disse: “esse cara é demais, adoro ele”. Apresentei-me como filho de JB e disse que puxaria meu pai para tirar uma foto com ele”, narrou. 

O assassinato de Kirk acontece em meio à forte polarização política no país. Três meses antes, uma deputada democrata e seu marido foram mortos a tiros em Minnesota. Segundo a Reuters, os Estados Unidos atravessam o período mais prolongado de violência política desde a década de 1970. A agência documentou mais de 300 atos violentos motivados politicamente desde que apoiadores de Trump atacaram o Capitólio, em 6 de janeiro de 2021. 

Para analistas, o atentado em Utah deve aprofundar a tensão no ano eleitoral e intensificar o embate entre democratas e republicanos sobre o futuro da democracia norte-americana. 

O assassinato de Kirk

Charlie Kirk foi atingido no pescoço enquanto participava de uma mesa de discussão “Me prove o contrário”, onde incentivava a plateia a fazer perguntas sobre temas controversos, como porte de armas. O evento acontecia na Universidade de Utah, nesta quarta-feira (10), e era o primeiro de uma turnê que passaria por 15 instituições de ensino americanas.

O tiro, disparado de um telhado próximo, interrompeu sua fala diante de centenas de estudantes. Imagens mostram Kirk sentado em uma tenda, discursando para a multidão ao ar livre, quando um barulho de tiro é ouvido. O ativista, então, tombou da cadeira. Ao perceber o ocorrido, algumas pessoas se jogaram ao chão e outras correram em busca de abrigo.

Segundo a instituição, Kirk foi encaminhado ao hospital por seguranças particulares que o acompanhavam no evento e passou por uma cirurgia. Cerca de uma hora mais tarde, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou a morte do ativista em uma rede social.

O Departamento de Segurança Pública de Utah disse que o ataque foi “direcionado” e descreveu o suspeito como um homem vestido de preto que conseguiu fugir logo após o disparo. Até a manhã desta quinta (11), a polícia, com apoio do FBI, ainda não havia localizado o atirador. 

Quem foi Charlie Kirk?

Charlie Kirk era fundador do grupo estudantil conservador “Turning Point USA” e teve papel crucial na mobilização do apoio de jovens a Trump nas campanhas presidenciais de 2016 e 2024. Ele era presença recorrente em universidades de todo o país e costumava atrair grandes multidões. 

O “Turning Point USA” é uma organização sem fins lucrativos (ONG) presente em mais de 3,5 mil escolas e universidades nos 50 estados americanos. 

Em seus discursos, ele se apresentava como defensor de valores cristaõs e do livre mercado, além de ser alinhado ao movimento America Great Again (MAGA) — ou “Faça a América Grande Outra Vez”. Kirk também era defensor de armas, duvidava do aquecimento global e era crítico da esquerda.

Em 2016, o Turning Point apoiou a candidatura de Donald Trump ao governo americano. Na época, Kirk passou a atuar como assessor pessoal de Donald Trump Jr., filho do presidente, integrando assim o círculo próximo da família Trump.

Após a vitória de Trump nas eleições de 2016, Kirk se tornou ainda mais presente na Casa Branca e ganhou destaque na mídia, envolvendo-se também em algumas polêmicas. Durante a pandemia, seu perfil no antigo Twitter foi suspenso por divulgar informações falsas sobre a Covid-19.

Já em 2023, conforme a revista Newsweek, Kirk afirmou que valia a pena “arcar com o custo” de “algumas mortes” para manter o direito ao porte de armas de fogo nos EUA. A declaração foi feita uma semana depois de um tiroteio em uma escola deixar seis mortos, incluindo crianças. 

Enquanto isso, em universidades e escolas, ele influenciava pais e estudantes a denunciarem professores que, segundo ele, promoviam o “marxismo” e a “ideologia de gênero”.

A presença de Kirk na Universidade de Utah, inclusive, dividiu opiniões. Uma petição online reuniu quase mil assinaturas para que ele não fosse à instituição. Contudo, a universidade manteve o evento, citando a Primeira Emenda e seu “compromisso com a liberdade de expressão, a investigação intelectual e o diálogo construtivo”.

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